Artigo

Ideias: Erotização precoce

00:00 · 20.03.2017

Adolescentes deram à luz 431 mil bebês em 2016, o equivalente a 21% dos nascimentos no ano no Brasil. A gravidez precoce é hoje no Brasil a maior causa da evasão escolar entre garotas de 10 a 17 anos. A gravidez precoce está se tornando um grande problema na educação. Crianças condenadas a não estudar. Horizonte cruel. Futuro triste. Mas dramaticamente coerente com um País em que o ministro mais importante não é o da Educação ou da Saúde, mas o da Fazenda. A culpa não é só do entretenimento permissivo ou da TV que, frequentemente, apresenta bons programas.

É de todos nós - governantes, formadores de opinião e pais de família-, que, num exercício de anticidadania, aceitamos que o País seja definido mundo afora como o paraíso do sexo fácil, barato, descartável.

É triste, para não dizer trágico, ver o Brasil ser citado como um oásis excitante para os turistas que querem satisfazer suas taras e fantasias sexuais com crianças e adolescentes. O governo, assustado com o crescimento da gravidez precoce e com o crescente descaso dos usuários da camisinha, investe pesadamente nas campanhas em defesa do preservativo.

A estratégia não funciona. E não funcionará. Milhões de reais já foram gastos num inglório combate aos efeitos. A raiz do problema está na onda de baixaria e vulgaridade que tomou conta do ambiente nacional. Se quisermos um entretenimento de qualidade precisamos separar o exercício da liberdade de expressão da prática do entretenimento mundo-cão.

Há uma liberdade de mercado que produz um mercado da liberdade.

Carlos Alberto Di Franco
Jornalista

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