Editorial

Geração de energia

00:00 · 10.07.2017

Manter investimentos em tecnologia e no desenvolvimento de estudos na área é crucial para permitir que os setores que produzem energia renovável sigam avançando. A magnitude da crise hídrica e a escassez de fontes habitualmente utilizadas impulsionaram a busca por alternativas que resultem em menor impacto ao meio ambiente. Nesse contexto, multiplicaram-se as iniciativas para aproveitar o vento, o sol e outras matrizes energéticas.

Contudo, preocupam os cortes no orçamento da estatal brasileira responsável por planejar e contribuir para desenvolver projetos que assegurem salto no potencial da geração de energia. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sofreu contingenciamento de R$ 34 milhões para R$ 14,3 milhões nos recursos destinados ao pagamento de despesas discricionárias, que não incluem os gastos com pessoal.

Vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a EPE tem como principal atribuição promover estudos sobre oferta e demanda de energia, a fim de identificar quais os setores que carecem de políticas governamentais mais satisfatórias. As suas dificuldades financeiras se tornaram públicas após a revelação de que a estrutura tecnológica da empresa é obsoleta e de ela apelar para receber doação de bens, equipamentos e serviços capazes de ajudá-la a superar as defasagens que travam suas atividades.

O Ceará é um dos maiores interessados na área de produção energética e na preservação de aportes financeiros que lhe proporcionem condições para aproveitar uma vocação natural. O território cearense deve atingir, nos próximos quatro anos, 2,6 gigawatts (GW) de capacidade instalada para gerar energia eólica, o que o alçará à terceira posição entre os maiores produtores, ficando atrás apenas da Bahia e Rio Grande do Norte.

No momento, figura na modesta quarta colocação, pois perde também para Rio Grande do Sul. Conforme a projeção do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), o crescimento deve ocorrer devido ao incremento aguardado de 0,9 gigawatts até 2021.

A estimativa leva em consideração o prazo para que sejam concluídos os parques em construção, assim como também se baseia na expectativa de que os projetos contratados nos últimos leilões entrem em operação nesse período. Atualmente, há 59 empreendimentos em operação. Em 2021, serão 105 unidades, com capacidade instalada de 2.602,86 megawatts (mw).

Balanço da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica também destacou o peso dos parques eólicos no Ceará. De janeiro a abril, a geração média no Estado foi de 465 MW, o que significou crescimento de 12% na comparação com igual período do ano passado. Na pesquisa, os cearenses estão classificados apenas depois de Rio Grande do Norte (1 GW), Bahia (678 MW) e Rio Grande do Sul (533 MW). No Nordeste, em janeiro e fevereiro, a matriz eólica foi a principal fonte da Região, de acordo com levantamento do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), órgão de pesquisa do Banco do Nordeste.

O Ceará também desponta com destaque na geração de energia solar ao responder por mais da metade da produção nacional, assim como mostrou estudo do IBGE divulgado no ano passado. Portanto, as oportunidades existem, mas o planejamento precisa ser permanente para que o Brasil consiga corresponder às demandas de um Planeta que assiste à redução drástica de seus recursos naturais em decorrência da ação humana.

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