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Filósofo panfletário

00:00 · 07.10.2017

Farias Brito (1862-1917) passou para a posteridade como o grande filósofo brasileiro. Nos tronos celestiais vê passar no olvido de seus conterrâneos o centenário de sua morte.

Espírito multifacetário foi, consoante autodefinição, "um indivíduo que encerra muitos homens dentro de si mesmo", entre os quais contam-se "os violentos, apaixonados, quase agressivos". Em fins de 1916, FB fez publicar jornal denominado "O Panfleto".

Não poupou homens de letras, jornalistas, políticos. Ferino, investe contra os literatos: "Homens de letras - eis uma raça que entre nós prolifera de uma maneira espantosa. Literatos temos de todo o tamanho e de todos os feitios. Alguns há que se apresentam em forma de ursos; outros de cobras, répteis ou víboras danadas. Alguns fazem a figura do jabuti; outros, a do cágado; e ainda outros, a da lesma ou do porco".

Investe o filósofo contra a Academia Brasileira de Letras (ABL) que não sabe se "de letras ou de tretas". Reconhece, ironicamente, que a egrégia ABL é um curral "que certamente não deve ser de bestas nem de vacas...", e que "melhor se poderia chamar a Academia, para falar em linguagem menos zoológica, alojamento de pedantes e nulos, que nada valendo imaginam valer alguma coisa através daquela ficção já desfeita e completamente desmoralizada...". Farias Brito expressa com severidade e inconformismo com a mediocridade travestida de sabedoria e a hipocrisia, de virtude.

Barros Alves. Poeta e jornalista

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