editorial

Exportação em alta

00:00 · 13.07.2018

O mercado exportador do Ceará continua em ritmo de crescimento, e o horizonte do setor é alvissareiro, sobretudo diante do comportamento do câmbio. No acumulado do primeiro semestre, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Estado comercializou US$ 1,026 bilhão em mercadorias com outros países, o que significa expansão de 5,2% sobre o apurado em igual período do ano passado.

O resultado sustenta a contínua evolução das exportações cearenses, em processo impulsionado pelo robustecimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), ancorado, sobretudo, na atividade da usina siderúrgica lá situada. Não é à toa que o município de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza, responde por 52% de tudo que o Ceará vendeu para destinos internacionais, em 2017.

Em 2016, havia exportado US$ 238 milhões e, já no ano passado, o valor exportado saltou para US$ 1,1 bilhão, incremento de 362%.

Embora a situação atual do câmbio, com o dólar próximo da faixa de R$ 4,00, seja desfavorável a vários segmentos, para os exportadores, o cenário é deveras promissor. É provável que a moeda estadunidense mantenha-se supervalorizada nos próximos meses, podendo até romper o nível ora registrado.

Existem projeções variadas de instituições financeiras quanto à sua cotação no encerramento do ano, as mais baixas na casa de R$ 3,70 e as mais elevadas, em torno de R$ 4,20.

Estimativas à parte, é fato que o ambiente externo incute efeitos que tendem a depreciar o real ante o dólar. Os choques constantes entre Estados Unidos, China e outros poderosos atores do comércio global causam tensão nos mercados e fazem com que a moeda brasileira enfraqueça, à medida que o investidor busca refúgio em fontes seguras.

Assim, tem-se à frente uma atmosfera positiva ao exportador, para quem se espera significativa melhora. É tangível que o recorde alcançado no Ceará, em 2017, de US$ 2,1 bilhões, seja superado no ano corrente.

A tendência é que o Estado passe a lograr resultados inéditos, de maneira sucessiva, tornando-se, gradativamente, um "player" de maior prestígio na composição do setor exportador do País.

As exportações cearenses, no ano passado, já conquistaram fatia maior da balança comercial da região Nordeste. Em 2016, elas representavam 10,1% e passaram a 12,5% em 2017. Em relação à representatividade nacional, as vendas externas do Estado também apresentaram alta, de 0,70% para 0,97%, resultado histórico.

Os números do primeiro semestre de 2018 poderiam ser ainda mais expressivos, não fosse a influência prejudicial da sobretaxa ao aço brasileiro, determinada pelo governo dos Estados Unidos.

Como os produtos semimanufaturados de ferro e aço protagonizam a pauta de artigos cearenses exportados, a medida protecionista do governo Trump intimidou o desempenho.

Ainda assim, os Estados Unidos foram a nação responsável por adquirir o maior montante a partir do Ceará, com US$ 303 milhões. Turquia (US$ 116,8 milhões) e México (US$ 109,3 milhões) aparecem em seguida.

Em meio a fatores propícios ao seu crescimento, o comércio exterior cearense pode adquirir combustível para acelerar, ajudando a economia do Estado a se expandir e criando um filão importante para a geração de emprego e renda.

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