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Explosões de violência

00:00 · 07.10.2017

Decorrida uma semana desde o tiroteio que matou 59 pessoas e feriu mais de 500 durante um festival de música country em Las Vegas, Estado de Nevada (EUA), a polícia continua suas investigações. Afinal de contas, que motivos levaram o contador aposentado Stephen Paddock, 64 anos, a praticar tal crime?

Segundo seu irmão, Eric, ele não apresentava sinais que deixassem transparecer a possibilidade de causar o tremendo morticínio, como aconteceu. Embora o grupo terrorista Estado Islâmico tenha assumido a autoria do ataque, anunciando que Paddock se convertera ao islamismo havia alguns meses, a informação não foi confirmada pelo xerife local, Joseph Lombardo, nem pelo FBI, principal órgão de investigação do país.

O atirador utilizou-se de 23 armas, a partir do 32º andar do hotel-cassino Mandalay Bay, levando total desespero às mais de 22 mil pessoas que assistiam ao show do artista country Jason Aldean. O ataque foi o mais trágico da história moderna dos Estados Unidos, superando o atentado contra a boate Pulse, em Orlando, ocorrido em junho do ano passado, quando 49 pessoas morreram e outras 53 saíram feridas. Para ampliar o poder de destruição, Paddock usou dois dispositivos que faziam com que as armas semiautomáticas disparassem automaticamente. Dessa forma, as balas mortais caíram como chuva, mais rapidamente, sobre os indefesos alvos.

Essas explosões de violência têm longa história numa nação belicosa, onde os cidadãos, mesmo em suas casas, armam-se até os dentes, amparados pela lei. Há algumas décadas, veteranos da Guerra do Vietnã costumavam abrir fogo contra pessoas inocentes em restaurantes ou outros locais de grande aglomeração. Nos últimos tempos, jovens desequilibrados passaram a atirar contra alunos e professores, em universidades e escolas. Em comum, como fez Paddock, o fato de que a maioria se matou após cometer as chacinas.

O ex-presidente Barack Obama tentou impor maior controle sobre a venda de armas, mas suas iniciativas frustraram-se diante do poder da indústria bélica. Se nada for feito neste sentido, outras matanças continuarão a se repetir.

Gilson Barbosa. Jornalista

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