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Estado regulador

00:00 · 13.09.2017

O Estado brasileiro não pode beber nas águas do liberalismo puro, de um capitalismo livre de regulamentação e de freios, pelo simples fato de sermos um país de carências sociais e elevados índices de pobreza. Pobreza agravada pela miséria, responsável por milhões de brasileiros sem condições de saúde, de educação, de segurança pública, de saneamento, de urbanização - enfim, de um mínimo de vida com qualidade e dignidade.

Por isso o governo - face visível do Estado -, não pode liberalizar tudo, entregar tudo à iniciativa privada, sempre voltada para as atividades lucrativas, como é de sua essência, e em nada preocupada ou compromissada com ações ou investimentos pouco lucrativos, voltados para os segmentos marginalizados e sem vez no processo produtivo e consumista.

Daí o risco da venda do patrimônio nacional, para fazer caixa em época de crise financeira e econômica, sem antes cercar-se de todas as garantias contratuais, para não colher amanhã dissabores e prejuízos de monta, pela prática de uma exploração desregrada dos recursos naturais e sem nenhum compromisso com a nacionalidade, isto é, com o povo e o seu crescimento na pirâmide social. Se tal vier a ocorrer, estaremos diante de um crime de lesa-pátria, pois o capital é apátrida e não é incomum adotar práticas de terra - arrasada na exploração dos recursos dos quais lança mão.

Por conta desses riscos, os governos a braços com graves crises sociais e desigualdade de renda, hão de defender o fraco contra a ação do forte, atenuando as disparidades sociais e de renda. Esta é a razão da existência do Estado regulador.

Eduardo Fontes. Jornalista e administrador

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