EDITORIAL

Equilíbrio no consumo

00:00 · 19.05.2018

Diante da crítica situação hídrica do Ceará, a população vem desempenhando o papel que se espera dela como importante partícipe na árdua missão de garantir o abastecimento de água no Estado. Enquanto ao governo e aos órgãos de gestão hídrica compete a elaboração de planos estratégicos e a execução de obras para reduzir a dependência das chuvas, a fim de assegurar água para todos os habitantes, a principal atribuição dos cidadãos nessa área é a de se adaptarem à austera realidade, consumindo água de maneira equilibrada e consciente.

É isso que se tem observado com clareza. Os moradores da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) não só reduziram consideravelmente o uso de água, como transformaram os novos hábitos em padrão. Os dados mais recentes apresentados pela Cagece mostram que a população vem mantendo, mês a mês, o ritmo de economia de água.

Nota-se, portanto, que os usuários se sensibilizaram com o grave quadro de privação hídrica que afeta o Estado há anos. Eles assumiram sua porção de responsabilidade, evidenciando o senso de comunidade.

No primeiro trimestre de 2018, conforme a Cagece, a redução média no uso da água ficou em torno de 20%, o consumo mais baixo desde 2014. Informou a empresa pública que 75% da população da RMF conseguiram ajustar o consumo dentro da meta estabelecida pela Cagece. Os restantes, por não se adequarem, precisaram arcar com a tarifa de contingência.

A criação de objetivos concretos no tocante à restrição do consumo hídrico foi fundamental para a mudança de comportamento geral. O percentual indicado pelo governo, como mostram os últimos resultados, é alcançável sem transições radicais que possam interferir na qualidade de vida dos consumidores. Cortar os excessos e adotar alguns hábitos que levam à moderação parecem suficientes para lograr êxito.

Iniciativas de tal sorte devem ser comuns para além dos períodos mais causticantes de estiagem. A questão da escassez de água é global e obriga o ser humano a valorizar eminentemente essa substância essencial à vida.

No caso do Ceará, território em que a seca é um fenômeno histórico, o engajamento deve ser ainda mais intenso e constante. A quadra chuvosa, deste ano, traz alívio parcial. As chuvas registradas do início de fevereiro a meados de maio já atingiram o intervalo da média histórica. O balanço final ainda depende das precipitações a serem contabilizadas nos últimos dias deste mês. Contudo, mesmo com os dados incompletos, é possível antecipar que o quadro pluviométrico de 2018 é o melhor desde 2011, lembrando que a base comparativa é baixa.

A situação dos açudes, todavia, ainda inspira preocupações. Os reservatórios receberam importantes aportes ao longo do ano, mas, no cômputo total, o panorama continua grave. De acordo com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado do Ceará (Cogerh), a média dos 155 açudes do Estado era de apenas 17% da capacidade até o dia 11 de maio. 83 reservatórios estavam com volume inferior a 30%.

Expor esses números é importante para que a população compreenda que não existe margem para exageros no uso da água. Por mais que as chuvas colaborem, o Estado acumula perdas imensas em virtude da longa estiagem. Ainda que o volume pluviométrico seja satisfatório, o consumo consciente deve permanecer, pois, assim, criam-se possibilidades maiores de sustentabilidade hídrica.

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