Editorial

Educação alimentar

00:00 · 06.06.2018

Sancionada no mês de maio, a lei que estabelece a inclusão da educação alimentar e nutricional no currículo das escolas públicas e privadas em todo o País poderá ser um importante passo na direção de hábitos mais saudáveis de alimentação para os jovens. A depender de como o conteúdo será aplicado na prática, os educadores poderão incentivar, lastreados em informações técnicas, hábitos salutares para os alunos.

A medida chega num momento em que a obesidade infantil dispara, no Brasil e no mundo. Estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Imperial College de Londres aponta que, em 40 anos, o número de indivíduos obesos com idade entre 5 e 19 anos cresceu dez vezes em todo o Globo. Na década de 1970, havia em torno de 11 milhões de crianças e adolescentes obesos.

O contingente chegou a 124 milhões no ano passado. O relatório projeta: se a tendência prosseguir, em 2022, haverá mais crianças com obesidade do que abaixo do peso. No Brasil, estima-se que 15% da população infantil e 50% dos adultos estejam obesos.

O assunto é objeto de preocupação por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde 2004, são traçados objetivos e ações para reverter o problema ao redor do mundo. A mais recente investida internacional é contra o consumo excessivo de gorduras saturadas e trans. A ingestão elevada de tais gorduras tem relação com as doenças cardiovasculares letais.

Os novos conteúdos didáticos a serem inseridos na grade estudantil brasileira não estarão reunidos em uma disciplina específica sobre o tema. Na realidade, serão distribuídos como assuntos obrigatórios dentro de outras matérias, como biologia, por exemplo. O prazo previsto para a inclusão é de 180 dias, portanto, ainda neste ano, a educação alimentar estará na pauta das escolas.

É importante a percepção inicial da família em relação aos problemas alimentares das crianças. Os responsáveis precisam identificar o momento para acionar auxílio especializado e procurar a opinião de médicos e nutricionistas.

Mas de nada adianta se, na escola, a criança não encontrar continuidade nesse processo de conscientização e informação acerca da importância de se alimentar de maneira saudável. Daí a relevância da nova lei. O ambiente escolar é uma das principais fontes de formação dos jovens e, assim, possui grande influência, embora não definitiva, em questões essenciais.

A relação do sistema educacional com a alimentação de crianças e adolescentes vai além da tentativa de conter a obesidade. No ensino público, em especial, a merenda escolar provê refeições básicas para o dia a dia de muitas crianças, dentre as quais aquelas que não gozam de boa alimentação dentro de casa. A merenda, pois, é também uma arma contra a desnutrição.

A comida fornecida deve ser de boa qualidade e possuir valor nutritivo adequado, bem como sabor e visual atraentes ao paladar dos estudantes. Ocorre que, em alguns casos, a qualidade das refeições fica muito aquém do razoável. Não são raras as investigações policiais, em diferentes estados e cidades, sobre desvios de recursos que seriam destinados à merenda escolar. A corrupção está entre os impeditivos para o fornecimento de comida em quantidade e qualidade satisfatórias para os estudantes.

Em razão da variedade de problemas de saúde que surgem por conta da relação inconsequente das pessoas com a alimentação, a educação alimentar merece a atenção cuidadosa da sociedade.

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