Economia criativa - Opinião - Diário do Nordeste

ANA CARLA FONSECA REIS

Economia criativa

03.11.2007

Estado rico em manifestações culturais, tradições, artesanato, moda e gastronomia, o Ceará traz dentro de si um enorme potencial para acelerar seu desenvolvimento socioeconômico, a par com as grandes discussões mundiais a respeito da chamada ´economia criativa´.

Conceito de contornos ainda em formação, a economia criativa compreende as atividades que se baseiam na criatividade humana, trazem a cultura em sua essência e acenam com a geração de riqueza e empregos. De modo geral, envolve as artes e tradições, as indústrias culturais e uma série de setores que se inspiram em cultura para gerar produtos funcionais, como arquitetura, moda, design, propaganda e jogos. Basta pensar nos números apresentados pelo Reino Unido, país que desde 1997 alinhou os setores público e privado para levar adiante a economia criativa como programa motor da economia nacional. Hoje, estima-se que a economia criativa represente cerca de 7% do PIB do país, tendo crescido a ritmos persistentemente superiores aos do total da economia.

Outros países têm seguido essa tônica, de Cingapura à Colômbia, passando pelo Líbano e pela Comunidade Européia. Nesta, aliás, estudo publicado em fins de 2006 recomendava que ´consolidar a União Européia como pólo criativo é essencial para sua competitividade mundial´, reconhecendo à cultura e à criatividade o cerne do projeto europeu de crescimento. Nos Estados Unidos, país que investe pesadamente em cultura e criatividade desde o início do século passado, os direitos autorais representam hoje entre 6% e 12% do PIB nacional (o que, na cifra mais baixa, gira ao redor de US$1,25 trilhão). Buscando oportunidades para os países em desenvolvimento, a Organização das Nações Unidas tem impulsionado reflexões e programas em economia criativa em diversos países, dentre os quais o Brasil, a exemplo dos belos trabalhos da UNCTAD e da Unidade Especial de Cooperação Sul-Sul.

Economia que gera renda, empregos e exportação, impulsiona o turismo e trabalha positivamente a imagem da região. A proposta, muito atraente para o Brasil, tem algumas condições básicas para se concretizar. Dentre elas, o envolvimento conjunto dos setores público e privado, viabilizando filões de negócios inexplorados. É para gerar essa reflexão que será realizado, de 26 a 28 de novembro, o oportuno ´Seminário Nacional de Economia Criativa´, no auditório da FIEC, congregando 24 palestrantes das mais diversas formações e áreas de atuação. Com esse evento, cujo objetivo básico é analisar como a economia criativa se insere no desenvolvimento socioeconômico cearense, o Ceará passa a integrar o seleto rol de Estados brasileiros que têm liderado esse debate - e desfralda todo uma gama de possibilidades ainda dormentes para um Estado com tamanha riqueza cultural.

* Economista, administradora, consultora da ONU

Comente essa matéria


Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999