ARTIGO

Droga livre e o crime

00:00 · 10.09.2018

A pacata capital Uruguai vive dias de tensão depois de que o governo anunciou que o número de homicídios no país cresceu 66% na primeira metade de 2018 com relação a igual período de 2017. Também subiram os registros de furtos a domicílios e assaltos à mão armada. Segundo as autoridades locais, 40% desses delitos estão relacionados ao tráfico de drogas. A informação consta de recente matéria do jornal Folha de S. Paulo.

O Uruguai, que já permitia o consumo da maconha, legalizou a produção e a venda da droga em julho de 2017. Naquela ocasião, o presidente Tabaré Vázquez falou a respeito da política de drogas de seu país. Indagado se acredita que a regulação da maconha vai reduzir o narcotráfico e a criminalidade, Vázquez disse que estão caminhando em terreno desconhecido e incerto. "É muito cedo para tirar conclusões desse tipo. Teremos de esperar um tempo maior. Só então veremos o que aconteceu". É uma aventura. Pode custar muitas vidas. Os resultados da aventura estão aí: aumento do número de homicídios. Na verdade, os defensores da regulação, lá e aqui, armados de ingenuidade cortante, acreditam que a descriminalização reduzirá a ação dos traficantes. Mas ocultam uma premissa essencial no terrível silogismo da dependência química: a compulsividade.

O usuário, por óbvio, não ficará no limite legal. Sempre vai querer mais. É assim que acontece na vida real. O tráfico não vai desaparecer. As drogas estão matando os jovens. A dependência química não admite discursos ingênuos, mas ações firmes e investimentos na prevenção e recuperação de dependentes.

Carlos Alberto Di Franco
Jornalista

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