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Dopping no futebol

00:00 · 12.05.2018

O desejo de ganhar um jogo ou uma medalha faz com que muitos atletas e técnicos esqueçam as regras desportivas e partam para burlar os limites do corpo. Até mesmo atletas de fim de semana acabam usando de aditivos para seus treinos, sem saberem as consequências e riscos aos quais estão expostos.

No Crato, muitos anos atrás, no antigo estádio de futebol da cidade, um certo técnico de um time local, para ganhar um jogo mais fácil, inventou de dar um estimulante a cada jogador, minutos antes da partida. O juiz, no centro, apita e inicia a partida, e aí começa a parte mais interessante do jogo. Os comprimidos, em vez de estimularem os atletas, fizeram efeito contrário, deu moleza e sonolência grande nos jogadores.

O massagista que era analfabeto, no vestuário, trocou na bolsa de remédios, o estimulante por um poderoso calmante. O goleiro foi flagrado várias vezes cochilando, encostado na trave. Um dos jogadores levou um escorão e ficou no chão estirado, chamaram o massagista e o médico, que constataram que ele nada tinha, estava dormindo. Lá pras tantas, notaram que o time estava desfalcado, fizeram a contagem e realmente só tinha dez jogadores em campo, faltava o jogador Pirrol, e sabe onde o encontraram?

Tirando uma soneca, embaixo da cabine de transmissão de uma rádio local. O time que tinha tudo para ganhar o jogo fácil, levou uma tremenda goleada, 7 x 0. Foi um desastre aquele jogo e uma grande decepção para o técnico, que nunca mais quis saber de história de dopping.

Ficava até com raiva quando um jogador pedia um comprimido para uma dor, tinha era de dizer o nome do remédio, e desde aquele dia, mudou todo o sistema, passou a investir mais na alimentação e exercício para atletas, que é muito mais saudável. O almoço era um prato farto de arroz, feijão, farinha, pequi, carne assada e a sobremesa um pedaço de rapadura. E tome exercício puxado para os jogadores.

Certo dia, num treino de ritmo bem acelerado, um dos jogadores, para mexer com ele, dá um grito, lá do meio dos companheiros: - Sou mais os comprimidos! Enquanto a gargalhada tomava conta de todos, ele com a cara fechada e em tom abusado responde bem alto: - Negoço de Comprimido!!! Vão roer pequi e rapadura que é melhor para vocês!

Sérgio Linhares. Historiador e cronista

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