Direitos dos diabéticos - Opinião - Diário do Nordeste

Editorial

Direitos dos diabéticos

18.02.2012


A Lei nº 11.347/2006 preconiza que portadores de diabetes devem receber, gratuitamente, do Sistema Único de Saúde (SUS), os medicamentos e materiais necessários à monitoração da glicemia capilar para o adequado tratamento da doença. É o que o governo vem fazendo ou, pelo menos, tentando: dar condições para que todos tenham controle ideal do diabetes, doença crônica que atinge cerca de 350 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, estima-se que 11% da população acima de 30 anos tenha diabetes.

Pelo programa Saúde Não Tem Preço, foram beneficiados 7,8 milhões de diabéticos e hipertensos que receberam medicação gratuita. Apenas em janeiro deste ano, 3,2 milhões de pessoas tiveram acesso gratuito aos remédios por meio do Programa Aqui Tem Farmácia Popular. Ao todo, 20,3 mil farmácias em 3,2 mil municípios fazem a distribuição da medicação. O plano de ação do Ministério da Saúde para que os municípios, que não possuíam, passassem a ter farmácias credenciadas foi o de estimular a adesão dos estabelecimentos, sobretudo os de cidades com populações mais pobres. Com isso, a Farmácia Popular atende a 781 municípios. A previsão é que sejam investidos R$ 7,7 bilhões apenas na compra de medicamentos.

No Ceará, o Programa Saúde Não Tem Preço cresceu 777% em número de habitantes beneficiados, de janeiro de 2011 a janeiro de 2012. O total mensal de pessoas que retiraram esses produtos nas 341 farmácias e drogarias credenciadas passou de 8.068, em janeiro de 2011, para 70.727, em janeiro de 2012. A quantidade de beneficiados pelo programa cresceu 691%, pulando de 3.749, em janeiro de 2011, para 29.654, em janeiro de 2012. No caso da hipertensão, o número aumentou 950%.

O programa obtém bons resultados porque mais pessoas têm acesso ao tratamento. Prova disso é que o SUS registrou, no ano passado, 8,4 mil internações a menos de pacientes com hipertensão e 2,7 mil a menos de pessoas com diabetes. Até 2025, a previsão é que esse número chegue a 380 milhões.

Contudo, ainda existe demanda premente de mais investimentos em projetos para os diabéticos, já que o tratamento não consiste apenas na administração de remédios. As crianças, por exemplo, precisam de incentivo aos esportes, nutrição adequada na merenda escolar e até apoio psicológico, caso haja necessidade de adequação à doença e à disciplina rígida que é exigida.

A importância de criar resoluções mundiais sobre a diabetes também está na pauta de discussão, porque a doença é considerada uma pandemia mundial. Para isso, os governos, com seus projetos de saúde, desempenharão papel fundamental, pois, na maioria dos países, são eles que ajudam a pagar o tratamento e os medicamentos para a população carente e sem recursos.

As campanhas de prevenção são tão decisivas quanto as voltadas para os diabéticos. É muito mais barato para os governos investirem na prevenção do que em tratamentos e transplantes de órgãos, como no caso de complicações renais. Entre as medidas, está a de melhorar a educação sobre diabetes. Apesar dos avanços alcançados pelas políticas públicas, grande parte dos usuários com diabetes desconhece do que, de fato, podem usufruir. A humanização no atendimento também é assunto indispensável. A rápida evolução dos benefícios para o portador de diabetes é uma realidade, mas ainda é preciso avançar em aspectos burocráticos e humanos, essenciais ao tratamento ideal.



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