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Dia das Mães

00:00 · 12.05.2018

Segundo domingo de maio comemora-se o Dia das Mães e eu que perdi a minha há tanto tempo vou homenageá-la nesta singela crônica com uma enorme saudade que aflige meu estiolado e dolorido coração. Solidarizo-me também com todas as mulheres que, por graça divina, ganharam a bênção da reprodução da raça humana e, que, além disso, são as mais lindas pérolas que habitam e enfeitam este nosso Mundo cheio de tantas mazelas e tantas iniquidades. Minha mãezinha, nascida no início do século passado, teve a desventura de não poder estudar, por capricho do seu pai, meu avô, major Zamou, rico fazendeiro do interior brabo e seco do Ceará.

Interessante e paradoxal é que ela achava o estudo a coisa mais fina do mundo. E tanto se esforçou que conseguiu, com mínimas condições financeiras, graduar os seus sete filhos, órfãos de pai, que desaparecera prematuramente sem lhe deixar qualquer pecúnia. Naquela época a vida já era muito dura. Com a morte do seu marido, a situação ficou bem pior, pois ela herdou a responsabilidade de criar e educar aquela numerosa prole, a maioria em idade escolar. Eu não sei como conseguiu nos fazer sobreviver.

Hoje, tenho certeza de que muito devemos à sua religiosidade e às suas abençoadas preces à Nossa Senhora das Graças, Santa de sua maior devoção que, por certo, eram alcançadas, apesar das dificuldades e de toda sorte de vicissitudes. Recordo vê-la quase sempre rezando o seu terço, já bem velhinha e olhando fixamente para o quadro da santa sofredora afixado na parede principal da nossa sala de visitas.

Por isso, quando retornei a Fortaleza, nas minhas primeiras férias da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no Rio de Janeiro, tive o maior prazer de trazer-lhe de presente uma imagem daquela abençoada Santa, que daí em diante passou a ser a imagem principal de seu pequeno oratório.

Muitos anos depois, ao visitá-la no hospital, já em estado de coma, porém com o rosto suave e sereno, vejo na cabeceira de sua cama a imagem da Santa milagrosa que lhe abençoava até o fim da sua estada nesta terra de tantos sofrimentos.

Rui Pinheiro Silva. Coronel reformado do Exército

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