Editorial

Desafios para 2018

00:00 · 02.01.2018 / atualizado às 00:28

O ano recém-findo surpreendeu ao apresentar indícios incipientes de que o ápice da crise ficou no passado. A reabilitação da economia, a passos lentos, sobreviveu aos episódios de turbulência institucional e não foi paralisada pelos ininterruptos escândalos de corrupção que marcaram o último ciclo. A virada no calendário renova as esperanças de que o novo ano venha acompanhado de mais conquistas não apenas no campo fiscal como em outros segmentos igualmente carentes de momentos de alívio. É imprescindível iniciar 2018 ciente das lições aprendidas e com a compreensão clara de quais são as metas prioritárias.

O Ceará tem série de desafios que precisa superar para a tranquilidade da sua população. O mais premente deles é novamente apresentar ações que amenizem a convivência com a seca. Desde 2012, o Estado enfrenta um período de chuvas abaixo da média. Dos 155 reservatórios monitorados pela Cogerh (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos), 51 estão no volume morto e outros 21 permanecem secos. O açude Castanhão, responsável por abastecer mais de 4 milhões de moradores da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e do Vale do Baixo Jaguaribe, está com somente 2,7% de sua capacidade.

As precipitações em dezembro, primeiro mês da pré-estação chuvosa, ultrapassaram a média. Em contrapartida, a má distribuição geográfica das chuvas, concentradas em poucas regiões, impediu o efeito consistente sobre os açudes. O primeiro prognóstico sobre a quadra chuvosa será divulgado oficialmente nos meados de janeiro, quando será viável obter diagnóstico mais preciso.

Diante das incertezas quanto à possibilidade de se deparar com o cenário da estiagem neste ano, impõem-se como objetivos imediatos concluir as obras de transposição do Rio São Francisco, agilizar o projeto de Dessalinização de Água Marinha na RMF e outras intervenções de caráter estruturante.

Manter o vigor da recuperação do mercado de trabalho, observada nos últimos meses, é outro ponto vital para o Ceará conseguir navegar em mares nem sempre tranquilos durante 2018. Em novembro último, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o saldo positivo de 3.139 vagas de trabalho criadas na RMF representou o melhor desempenho em comparação com as demais regiões metropolitanas do País. No mercado formal, o comércio, aquecido pelo aumento do consumo, foi o maior responsável por puxar o bom resultado.

O ano pede também que as administrações estadual e municipais alcancem a máxima eficiência no controle orçamentário, a fim de evitar que se alastre pelo território cearense o quadro de deterioração dos cofres públicos verificado nos demais estados e em diversas outras cidades. O Ceará terá, principalmente no setor do turismo, oportunidade para alavancar a economia local.

Com o início das operações do "hub" do grupo Air France-KLM, espera-se ampliar a visibilidade do Estado e multiplicar o número de visitantes. Paralelamente, é necessário atrair empreendimentos para dar sequência a essa expansão e impedir que o debate eleitoral prejudique o avanço de projetos importantes.

A lista de desafios coloca responsabilidades que tornam árduo o início do ano. Mas cada obstáculo pode ser transposto, desde que os recursos do orçamento sejam utilizados com seriedade e de forma inteligente, que assegure o custeio da máquina administrativa sem comprometer os investimentos públicos.

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