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Desafios históricos da mulher

00:00 · 24.03.2018

No dia 8 de março, celebramos o Dia da Mulher. Esse período é marcado por lutas que buscam o fortalecimento de políticas públicas, o reconhecimento a tantas mulheres protagonistas que marcam a caminhada ao longo de nossa história. Neste mês, devemos questionar por quais motivos enfrentamos tantos desafios como violência doméstica, dificuldade em ocupar cargos de chefia, salários menores do que os pagos aos homens e baixíssima participação na política.

Esse é um momento de percebermos as questões da mulher, ou melhor, das mulheres e dos vários feminismos. Assim, devemos romper o silêncio contra o machismo e sistema patriarcal que nega e oprime a vida de muitas mulheres, impedindo a sua atuação no mundo e a ocupação de seu lugar de fala enquanto cidadã.

Não podemos mais abrir mão do empoderamento feminino. Entre os vários feminismos, destacamos o feminismo negro, que representa o olhar da mulher negra a partir de questões que envolvem gênero e racismo e vem se fortalecendo ao longo dos anos em nosso País. As discussões trazem à pauta o papel da mulher negra em uma sociedade assinalada pela escravização com exclusão da população negra e altos índices de violência.

Quando falamos de violência contra mulher, é válido destacar que os números do feminicídio são alarmantes, principalmente em relação à mulher negra. O fato é que a objetificação da mulher, violência psicológica, assédio, estupro e feminicídio estão presentes no cotidiano de muitas, que em alguns casos são culpabilizadas.

É fundamental percebermos que várias silenciam nestas situações, pelo medo de denunciar, por questões financeiras ou ainda porque as dores emocionais não lhe dão forças para enfrentar essa realidade.

Nestes cenários, o apoio de pessoas próximas como parentes e amigas é decisivo para que se sintam fortalecidas e possam romper o silêncio. Em relação à organização das mulheres em redes, o Grupo Mulheres do Brasil vem agregando muitas mulheres em todo o País e tem desenvolvido uma série de ações no Ceará com reuniões mensais, cujos objetivos são propor atividades temáticas ligadas à educação, empreendedorismo, cota para mulheres e projetos sociais. Ou seja, promovendo envolvimento e fortalecendo a atuação da mulher em causas de relevância social.

Mas, o fundamental é que precisamos avançar no debate. Afinal, a quem a caminhada da mulher hoje incomoda? Quais discursos devem ser descontruídos? Com o que precisamos romper? Enfim, são necessárias profundas mudanças de pensamentos e comportamentos em relação à mulher na sociedade atual.

Ana Paula Braga. Pedagoga

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