Editorial

Defesa à biodiversidade

00:00 · 22.05.2018

Detentor de uma variedade colossal de ecossistemas e espécies animais e vegetais espalhados por seu território, o Brasil tem a importante missão de proteger a heterogeneidade da Natureza. Neste dia 22 de maio, é celebrado o Dia Internacional da Biodiversidade, data de valor simbólico expressivo para conscientizar as pessoas acerca da necessidade de preservar a multiplicidade de vida.

Para os cidadãos e autoridades brasileiros, não só neste dia, mas ininterruptamente, é necessário exaltar as abundantes riquezas naturais de que o País dispõe. Mas o reconhecimento de tamanha dádiva do Criador o submete às obrigações impostergáveis de conservar os diferentes ambientes e a pluralidade de vidas que os fazem pulsar.

O Brasil abriga mais de 103 mil espécies animais e 43 mil espécies vegetais, destacando-se como o País de maior biodiversidade de flora e fauna do mundo. Hospedam-se, nestas terras, 20% do total de espécies catalogadas, em biomas como Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Zonas Costeiras.

Ao ser o cenário de uma exuberante vastidão natural, o Brasil tem desafios e responsabilidades singulares. Administrar faixas territoriais tão extensas e proteger as espécies de ações humanas devastadoras apresentam-se como tarefas complexas. O governo federal vem expandindo as áreas de preservação e conservação, mas ainda há muito a ser feito. A intervenção destrutiva do ser humano é a principal preocupação, nos âmbitos nacional e internacional.

Pesquisa da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), divulgada em março, aponta que cientistas estão verificando extinções de espécies em ritmo muito mais acelerado do que o normal, em razão da clara interferência humana. No mundo, em torno de 40% dos anfíbios e mais de um quarto dos mamíferos estão em perigo de extinção. Nas Américas, diante das severas mudanças climáticas, estima o estudo, 40% da biodiversidade original do continente devem desaparecer até o ano de 2050.

Recentemente, a morte do último rinoceronte branco macho, no Quênia, provocou enorme repercussão no meio científico. O fim dessa icônica espécie, uma das mais majestosas do reino animal, tem ligação direta com a caça exploratória. E, como ela, existem milhares de outras espécies que estão sumindo por conta da desenfreada intromissão humana no seu habitat, mas de forma muito mais silenciosa.

Quando se fala em biodiversidade, o Ceará também apresenta desafios urgentes e importantes. Em torno de 50% do território do Semiárido padecem com o processo de desertificação. Menos de 1% da área é protegida por zonas de preservação permanente.

A Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, com grande presença no Estado, é constantemente ameaçada. É sempre válido enfatizar que a Caatinga é muito rica em vida, com mais de 1.700 espécies vegetais catalogadas, embora ainda seja uma das áreas menos estudadas cientificamente. Estima-se que ainda há mais de mil espécies a serem desvendadas no bioma. A degradação da Caatinga precisa ser contida, sendo premente a ação de agentes públicos e de toda a sociedade.

A biodiversidade é o maior dos encantos do Planeta. Muito já foi perdido por conta do desequilíbrio provocado pela ação humana e conter essas inestimáveis perdas é um dever que recai sobre todos os entes conscientes do valor da pluralidade da vida.

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