editorial

Corrida contra o tempo

00:00 · 14.11.2017

A 23ª edição da conferência do clima, da Organização das Nações Unidas, que ocorre até o próximo dia 17 de novembro, em Bonn, na Alemanha, tenta reverter o retrocesso concretizado com o esvaziamento do Acordo de Paris. Autoridades mundiais correm contra o tempo para discutir como será possível retomar as metas estabelecidas no compromisso firmado, há dois anos, entre 195 países com o objetivo de limitar o aquecimento a menos de 2º Celsius. Recordes consecutivos de altas temperaturas, aumento do nível do mar e maior ocorrência de fenômenos como tempestades, secas, inundações, incêndios e furacões traduzem a urgência na correção de diretrizes. O Brasil também precisa se inserir nesse debate e conter os altos índices de degradação registrados em suas florestas.

Na abertura da conferência, relatório da Organização Meteorológica Mundial procurou sensibilizar os representantes das nações que ainda relutam em acreditar nas transformações sofridas pelo Planeta devido à ação humana. O documento compila série de eventos climáticos extremos enfrentados por diferentes regiões. Além de mostrar que, de 2015 a 2016, a taxa de emissões gases-estufa atingiu recorde ao chegar ao total de 403,3 partes por milhão na atmosfera, a agência vinculada às Nações Unidas cita os desastres causados pelas fortes chuvas em Serra Leoa, Colômbia, Nepal, Índia, Peru e Inglaterra.

Bem como menciona, também, o documento a contribuição do calor extremo e da estiagem para a eclosão de grandes incêndios florestais no Brasil, Chile, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Portugal, Espanha, Croácia, Itália e França.

Desde o anúncio da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, o pessimismo predomina quanto aos efeitos práticos da COP-23. O temor é que o posicionamento dos norte-americanos influencie outras grandes potências e restabeleça ferrenha disputa na questão ambiental entre os países ricos e pobres.

Durante muito tempo, foi predominante esse pensamento adotado por nações desenvolvidas, que se veem, em geral, prejudicadas por serem obrigadas a fazer concessões ambientais. Tal posição fez a Terra retroceder e ficar mais suscetível a fenômenos climáticos extremos.

O governo brasileiro chega à conferência com o objetivo de destacar a redução de 16% na taxa de desmatamento em 2017 como uma grande conquista. O feito, no entanto, é insuficiente para cobrir os estragos contra as florestas em 2015 e 2016. Ademais, especialistas preveem ser difícil o País fazer valer todos os compromissos assumidos na assinatura do Acordo de Paris. Somente no ano passado, as emissões de gases de efeito estufa foram de 2,091 para 2,278 bilhões de toneladas de carbono equivalente.

O dado equivale ao aumento de 9% e representa o nível mais alto desde 2008. Tal movimento surpreende analistas no exterior em razão de o Brasil ser o único território de grande porte que aumentou a carga de poluição, enquanto enfrentava um dos piores períodos de recessão econômica de sua história.

A falta de consenso entre os líderes mundiais, outra vez, deve impedir a conferência sobre clima da ONU de alcançar avanços significativos, a exemplo do que costuma ocorrer desde 1994, quando o evento passou a fazer parte do calendário internacional. À medida que o tempo passa, crescem os riscos de os problemas do meio ambiente se agravarem. Assim, as soluções debatidas em cada nova edição perdem o potencial para reverter longos anos de degradação e exploração irresponsável dos recursos naturais.

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