Editorial

Copa que não terminou

00:00 · 11.06.2018 / atualizado às 08:52

A Copa do Mundo da Rússia se inicia nesta semana, mas o Brasil ainda tem assuntos mal resolvidos com a Copa que sediou há quatro anos. É absurdo verificar que algumas obras projetadas para o evento esportivo de 2014 não estariam prontas nem mesmo se ele fosse realizado em 2018. A lentidão injustificável diz muito sobre a forma como grandes obras de infraestrutura são tratadas no País. Não há zelo por cronogramas; os processos licitatórios, não raro, deixam brechas para sucessivos atrasos; enfim, o contribuinte acaba punido.

Em 11 das 12 capitais que sediaram jogos da Copa em 2014, existem obras ainda inacabadas. Fortaleza está entre elas. Quatro anos depois, dois grandes projetos os quais foram inicialmente prometidos para o Mundial continuam pendentes. Os trabalhos de expansão do Aeroporto Internacional Pinto Martins, é válido lembrar, deveriam ter sido concluídos em dezembro de 2013, conforme o cronograma original, mas praticamente nada foi feito.

A Fraport, concessionária que assumiu a administração do aeroporto em janeiro último, recebeu, em fevereiro, o aval da Anac para iniciar as obras de ampliação. Contudo, um imbróglio na Justiça impediu o andamento, o que só foi sanado no mês passado. Estão previstos para o equipamento aeroviário investimentos que incluem o terminal de passageiros, adequações nas pistas de pouso, decolagem e taxiamento, mais posições remotas para estacionamento de aeronaves e pontes de embarque.

A expansão do terminal é essencial, pois o Ceará experimenta crescimento robusto na movimentação de passageiros domésticos e internacionais com a operação do "hub". É premente, portanto, a infraestrutura adequada para sustentar o fluxo inédito de visitantes.

Após a série de fracassos, quando o aeroporto ainda era gerido por uma empresa pública (Infraero), a expectativa agora é de que a nova administração consiga gerenciar o projeto de ampliação com respeito aos prazos, porque o tempo perdido foi enorme. A previsão é que a capacidade suba de 6,4 milhões de passageiros por ano para 11,2 milhões.

Outra grande obra no setor de transportes, esperada de forma ansiosa pelos fortalezenses, é o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) Parangaba-Mucuripe. O projeto, que deveria estar plenamente finalizado antes do pontapé inicial da Copa de 2014, já foi objeto de cinco licitações distintas. A lentidão causa transtornos permanentes aos moradores nas redondezas das obras. Ademais, milhões de pessoas que poderiam contar com mais uma alternativa de transporte para se deslocar entre pontos nevrálgicos da Cidade continuam desassistidas.

Nas demais capitais que foram sedes da Copa do Mundo, a lista de projetos atrasados é grande, a maioria na área de mobilidade urbana. Em Porto Alegre, por exemplo, dez obras prometidas para a competição esportiva ainda não foram entregues e duas delas nem começaram.

No Rio de Janeiro, tudo que foi planejado para a Copa está funcionando, mas graves problemas de manutenção são reportados por usuários.

Quando o Brasil foi oficializado como sede daquela Copa do Mundo, foram veementes os discursos dos governantes sobre as melhorias na mobilidade urbana, o que constituiria, disseram eles, o grande legado do evento. Passados quatro anos, é fácil constatar que as promessas não se cumpriram. O País pagou muito caro para realizar aquele torneio e converteu muito pouco em benefícios concretos para a população.

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