Artigo

Contrassenso

00:00 · 06.06.2018

O nosso Código Florestal cuida do meio-ambiente (em especial, das águas, rios e florestas), de forma a não comprometer a produção de alimentos, pois sabe-se que um grande contingente de seres humanos passa fome no mundo. É uma questão muito séria, equacionada de forma a proteger a Natureza e manter um crescimento econômico sustentável.

Na contramão desses objetivos, porém, o Brasil ocupa imensas áreas agrícolas no plantio da cana de açúcar para produção de álcool automotivo, pressionando, consequentemente, o consumo d'água, exaustão das terras e desmatamento das florestas. Nos Estados Unidos, é a produção de milho - cerca de 40% para produção de etanol).

Ambos, milho e cana de açúcar são, tradicionalmente usados como alimentos básicos dos seres humanos. Principalmente das classes menos favorecidas. A terra, que é dotada de nutrientes e fontes minerais de adubos necessários à agricultura e cobertura vegetal do planeta, a exemplo do petróleo, tende, também, a se exaurir em suas áreas agrícolas usadas de forma intensiva.

Mais sensato seria preservá-las e explorá-las como potenciais produtoras de alimentos que são, para garantir a segurança alimentar da humanidade e por mais tempo, em vez de estimular a queima do seu potencial energético na combustão da frota automotiva. O uso de combustíveis fósseis, existentes ainda em grande quantidade nas profundezas dos mares e continentes, embora sendo mais nocivo ao meio-ambiente que o etanol é, ainda, "um mau necessário", menor, talvez, que destruir florestas, consumir excessiva quantidade d'água e exaurir terras produtivas de alimentos.

Rafael Lopes Ferreira
Economista

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