editorial

Combate à evasão

00:00 · 05.04.2018 / atualizado às 00:52

Enquanto apresenta resultados substanciais tocantes ao desempenho dos alunos e à qualidade do ensino, o Ceará vem combatendo, com dureza, a evasão escolar. A tarefa não é simples, pois o persistente problema é acarretado por distintas motivações, de caráter social, cultural e, por vezes, individual. Apesar de o quadro ainda ser desafiador, o Estado conseguiu reduzir o abandono escolar ao menor nível dos últimos dez anos, conforme balanço apresentado no início deste mês.

Os números divulgados pela Secretaria da Educação do Estado (Seduc) mostram importante evolução conquistada no ano passado, em comparação com 2016. Nesse intervalo, a evasão do Ensino Médio caiu de 9,7% para 6,6%.

A taxa de 2016 havia despertado preocupação por ter sido a mais elevada desde 2012 (11%), mas a rápida recuperação no indicador aponta que o assunto voltou a ser lapidado. Não obstante alguns solavancos, o histórico dos últimos dez anos é de consistente evolução. Em 2007, a taxa de abandono era de 16,4%, 2,5 vezes maior que a atual.

O Estado atribuiu a redução ao conjunto de ações de acompanhamento nas escolas, mapeando as ausências e analisando a situação dos alunos. A avaliação constante das estatísticas e perfis permite à gestão elucubrar respostas de modo mais célere, antes que o problema cresça demasiadamente.

Alguns municípios cearenses vêm se destacando com resultados bastante positivos. Tianguá (4,8%), Canindé (4,7%), Itapipoca (4,4%) e Jaguaribe (2,6%) são exemplos de cidades com taxa de abandono inferior à média estadual. O engajamento das administrações municipais é preponderante no combate à evasão.

Reduzir a debandada precoce dos jovens da vida estudantil na Educação Básica é um dos pontos mais relevantes para a Base Nacional Curricular. De acordo com o Censo Escolar, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e Ministério da Educação (MEC), a evasão média no País é de 11%.

O Ensino Médio é uma fase nevrálgica e, portanto, carece de resoluções especiais. Na zona rural, também é mais acentuada a deserção.

Acima de tudo, é preciso compreender as razões que levam os adolescentes a afastar-se do seio escolar. Cada indivíduo pode apresentar motivações distintas para tal e, por isso, é importante que as escolas busquem entender, caso a caso, o que leva determinado aluno a largar os estudos. A partir do conhecimento acerca desses fatores particulares, as diretorias podem agir de forma direta, através de medidas que incentivem o retorno dos estudantes evadidos e tornem a experiência escolar mais atrativa para todos.

Nos casos de motivações recorrentes, como a necessidade de sair da escola para gerar renda para o domicílio, cabe à gestão educacional do Estado colocar em prática programas específicos.

O esforço em manter os jovens dentro do ambiente educacional, de certo, renderá ao Ceará frutos de imenso peso social. Vale ponderar que o simples fato de estar matriculado e comparecer assiduamente às aulas não é garantia automática de sucesso na aprendizagem.

Existem aspectos mais complexos que circundam o ensino, a apreensão de conteúdos e a aplicação dos valores para cada estudante. Contudo, é inquestionável o poder de metamorfose da educação sobre as mazelas sociais. O investimento ora feito tende a, no longo prazo, se converter em diminuição da desigualdade e violência e na ampliação de oportunidades para os jovens.

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