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Leitores e Cartas

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00:00 · 12.08.2017

Cheiro de eucalipto

Não fossem "Sinais de fogo" de Miguel Sousa Tavares (Expresso 29 julho) e o comunicado da Celpa - Associação da Indústria Papeleira, publicado neste mesmo jornal, em que considera a "reforma florestal um erro histórico e um atentado à floresta portuguesa", quase transformaria o eucalipto no absurdo de uma espécie em vias de extinção com necessidade de ser protegida pelas suas "características" de rentabilidade econômica em alternativa ao abandono das terras de cultivo. Esta tentativa de branqueamento da influência do eucalipto na vulnerabilidade da floresta em que é predominante na maior parte das áreas ardidas, é tanto mais incompreensível quando o País ainda faz o luto do rastro de morte deixado pelos incêndios que cercaram Pedrogão Grande, com ondas gigantes de fogo que deixaram povoados reduzidos a cinzas com muito cheiro de eucalipto. Sem cair na diabolização do eucalipto, nem menosprezar o conhecimento técnico e científico. Porque não se quer reconhecer que a generalidade dos pequenos proprietários surpreendidos pelo fogo são exatamente muitas das vitimas das opções de cultivo com promessas de rendimentos mais rápidos, fomentadas pelas celuloses, que acabam em cenários desoladores e abandono destas famílias à sua sorte, e à sua força e coragem para começar de novo. Com a nova lei das florestas que a Celpa contesta, por considerar limitativa à plantação do eucalipto, - uma riqueza que representa 5% do PIB. E que para o colunista é também um desastre "financeiro, humano, ambiental, sociológico" para o País.

José Lopes

Fortaleza (CE)

O Dia D

Pequeno dia histórico para a grandeza da história do nosso País. Nada mudou. Continua com os mesmos homens e a pequenez da nossa política. Não ficará como marco histórico, como as figuras de Dom Pedro II, de Vargas ou a Independência e a República. No ambiente da Câmara dos Deputados assistimos de tudo. A figura tranquila do presidente, os gritos dos exaltados, voto sim ou não dos que não queriam aparecer com vergonha do que estavam fazendo, pois agiam como gato que foge do fogo, ou mão de gato. Alguns gritavam com toda força elogios ao presidente e outros contra. Os primeiros pareciam dizer: Votei e os segundos indicavam que queriam votos. Até a troca de sopapos vimos, indicando para alguns que é a demonstração viva da democracia, quando esta é o cumprimento das leis e não roubar os cofres públicos. "Democracia quer simplesmente dizer o desencanto do povo, pelo povo, para o povo", disse Oscar Wilde. Para Abraham Lincoln, "A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo". Dois pensamentos contrários. O nosso é: "Democracia é o respeito à Lei, ao amor, à Justiça e não roubar".

Torres de Melo

Fortaleza (CE)

Só Freud explica

Eu só queria entender. Se tenho uma poupança e me falta para pagar as contas no dia a dia, eu recorro a parentes para cobrir meus gastos, "sem intenção de devolver nada"? Não! Foi isso que a equipe econômica fez ao aumentar impostos. Com quase US$ 400 bilhões em "Reservas Internacionais", já que até o fim do ano o rombo nas contas públicas chegará a R$10 bilhões, o governo, que já tem uma popularidade no dedão do pé, resolve aumentar impostos, em vez de sacar US$3,5 bi dessas "reservas" ? Não chegaria nem a 1% do valor guardado, o mesmo que uma pequena aplicação internacional pagaria em "juros". Parece que o Ministério da Fazenda fixou sua gestão apenas em "aumento de impostos", fechando os olhos a qualquer outro tipo de saída, a não ser vilipendiar mais ainda o povo brasileiro. Será que Freud explicaria?

Beatriz Campos

São Paulo

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