Coluna

Debates e Ideias: O salesiano Almir

Debates e Ideias

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00:00 · 17.06.2017

Em 2004, perdíamos um grande amigo e colega cardiologista, Das Chagas Lima. Morto, em Petrolina. Voltamos à Igreja da Piedade, donde havíamos partido para Carpina, numa madrugada fria e saudosa. Das Chagas gráulio, ágil e brilhante, de repente tornou-se saudade. O celebrante era o Antônio Almir Magalhães, que na homilia falou de sua passagem pelos salesianos. Há 5 anos, voltei a me encontrar com o Pe. Almir, agora como reitor do Seminário S. Jose e diretor da Faculdade Católica de Fortaleza. Iniciava meu bacharelado em Teologia. Simples, afável, sorriso curto, jeito de mineiro, fomos nos identificando. Iniciamos e percorremos durante um período das nossas vidas os mesmos caminhos. Trilhamos os mesmos passos. Introduzidos no universo salesiano, tivemos o mesmo céu, e veneramos o mesmo pai: Dom Bosco.

Em 12 de junho, voltei a me encontrar com Pe. Almir, no seu natalício. Eu enamorado de Eliane. Ele enamorado de sua vocação sacerdotal. Fez da Igreja a sua esposa. Ama-a com ardor missionário. Zela o seu caminhar apostólico com simplicidade e piedade. Valoriza a sua missão de pastor. Face de uma Igreja primaveril e de partilha. Cada tijolo prensado no amor, colocado lado a lado no pórtico da caridade. Dom Bosco é um dos maiores santos da Igreja Católica. Não é santo social. Não é da teologia da libertação. Bosco era animado por um fogo de amor para com os inúteis da sociedade. No seu oratório juntava os meninos perdidos, esquecidos, largados pela sociedade.

Dom Bosco foi a Madre Teresa de Calcutá do século XIX. O amor de Dom Bosco para com os pobres era para fazê-los dignos, aproximá-los de Deus. Almir fez seu estágio pastoral em Aratuba. Se lá em Carpina, sob a luz de Dom Lustosa, se encheu de caridade, em Aratuba, no alto se encheu das mensagens do Sermão da Montanha. Se no antigo testamento tínhamos a tábua da lei, no novo temos o evangelho da misericórdia. Onde os Makarios, bem-aventurados são aqueles que Dom Bosco tanto amava: os pobres, os perseguidos e injustiçados. Almir na sua passagem pelas academias romanas, não apagou a sua feição de cuidar dos mais pisados e sofridos da sociedade. Dom Bosco, "Da me animas et cetera tolle", dá-me almas e pode ficar com o resto. Dom Bosco formou 6 mil sacerdotes. Almir não forma tanto, mas os forja espelhado na sua alma amorosa simples e despojada.

José Maria Bonfim de Morais - Médico cardiologista

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