Coluna

Debates e Ideias: O palco chamado vida

Debates e Ideias

opiniao@diariodonordeste.com.br

00:00 · 17.06.2017

Cada ser humano é um ser individual, contudo, para lidar com vários ambientes, pessoas e situações ele utiliza-se de um estratagema pouco refletido: os papéis. Exercer um papel é exercer uma máscara. Quando se assume a máscara como coisa natural, que faz parte da própria identidade, algo contínuo, perdemos a noção mais íntima e profunda de nossa singularidade, isto é, aquilo que nos dá características próprias e nos diferencia dos demais seres humanos.

Nesse aspecto, é muito importante aprender a exercer o papel de observador em vários aspectos, de estar sempre ciente da não-ciência de boa parte dos comportamentos. Quando exercemos repetidamente alguma coisa a transformamos em hábito. Os hábitos passam a reger automaticamente nossos comportamentos, pensamentos e emoções.

Com o tempo, passamos a viver em um cárcere invisível. Talvez muitos digam: - E daí? Não tenho entendimento que estou nele, então não vou me preocupar. O que a princípio é prazeroso, com o tempo, passa a causar desprazer e angústia.

O tempo muda assim como as necessidades, gostos, tendências, objetivos e pessoas. Ficar muito tempo em uma zona de conforto significa acomodar-se. O acomodamento gera preguiça relativa no campo do espírito, faz com que deixemos de ousar, explorar, conhecer novas possibilidades de experimentar e superar desafios.

Os frutos dessa inércia da alma podem ser caracterizados como: tédio, procrastinação, preguiça, reclamação em demasia (nada nunca está bom), rotina maçante, nervosismo, estresse, excesso de crítica e cobrança dos atos alheios etc.

Esses são sintomas que podem ocorrer isolados ou em associações - óbvio que precisamos sempre relativizar as coisas, não podemos generalizar, pois há pessoas muito ativas em vida, por exemplo, que podem ter apenas um ou outro campo em estado de inércia por não saber o melhor tipo de abordagem para lidar com o fato.

Ficamos tão aclimatados a determinadas posturas que não temos disposição para mudar. Em muitos casos nem sabemos como. Por isso, torna-se importante o exercício de compreender o teatro da vida para ter sentido no existir. Se quiserem encarar desta forma, podemos afirmar que o mundo é um grande palco, nós somos os atores e a peça se fragmenta em inúmeros cenários com inúmeros personagens se relacionando.

Rossana Brasil Köpf - Psicanalista advogada

Últimos Artigos

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.