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Debates e ideias: Discordar sem violência

Debates e Ideias

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00:00 · 27.05.2017

Há pessoas que, por força da lei psicológica das compensações, são, naturalmente, levadas a procurarem, para o convívio, pessoas de temperamentos e feitios opostos. O tímido procura, não raro, para amigo, uma criatura corajosa, capaz de o fazer vencer os seus receios e temores; o indivíduo calado procura, por vez, o indivíduo falador, como compensação.

Em presença de tais fatos, observamos que uma extrema divergência na formação, na originalidade das pessoas, no saber ou na experiência evidenciada por alguém, pode criar uma atração entre elas. É esta uma maneira instintiva de as pessoas completarem, mutuamente, as pessoas às suas insuficiências.

Em tal hipótese, torna-se indispensável que as pessoas de ideias diferentes se entendam, e saibam discordar, sem violência e sem modos humilhantes. Muitas vezes, o mal não está na palavra, mas sim na maneira de se dizer. É possível contestar a opinião de outros, sem ferir a sensibilidade sua, recorrendo a expressões suaves.

Tem quem afirme que tudo se pode dizer sem desesperar a outra pessoa desde que se empregue um vocabulário cuidadosamente escolhido, de formas hábeis e espirituosas. Nós acrescentaríamos que o segredo não reside apenas no vocabulário, mas sim, também, no tom de voz, no ritmo da fala, na serenidade dos gestos. As fórmulas brutais ou sarcásticas ofendem e humilham.

Exemplo a se dizer: você não sabe o que diz - Isso é absurdo, isso não pode fazer-se - Você é mesmo um... Anjinho. Em vez de expressões deste gênero, deve o parlamentar, em reuniões nos parlamentos Municipal, Estadual e Federal, utilizar expressões que não magoem à pessoa com quem se está debatendo.

Se o aparte for conseguido, dizer eu já penso diferente do assunto que se trata. Aí justifica o motivo. Vejamos outro exemplo: teoricamente, a sua ideia talvez seja ótima... Mas já pensou nas consequências que dela podiam advir? Vamos a ver se o que você sugere é realizável.

Estas maneiras de discordar não ofendem, e definem a atitude e a posição do discordante, sem comprometerem o convívio e a respectiva amizade. Não esquecendo de que o tratamento quando em reunião nos Parlamentos: é Vossa Excelência, quando a palavra é dirigida a outro parlamentar.

Raimundo Mariano da Silva - Servidor público

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