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Debates e ideias: As trutas de Itatiaia

Debates e Ideias

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00:00 · 27.05.2017

Há cinco anos, fomos à Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, bela cidade entre Rio e São Paulo, para comemorar o aniversário da minha turma, denominada "Tenente Antônio João". Próximo dali, deslumbra-se a majestosa Serra da Mantiqueira, onde está o Pico das Agulhas Negras, com 2.800 metros de altura, o 5º mais alto do Brasil, quase sempre encoberto por brancas nuvens e que faz divisa entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. No caminho para aquelas alturas, formou-se a graciosa cidade de Itatiaia, local muito frio, hoje com um enorme fluxo turístico proveniente, sobretudo, de famílias cariocas e paulistas.

Na década de 1950, alguns jovens cadetes, nos fins de semana, aventurávamos a visitar aquelas alturas, não só para gozar as delícias das baixas temperaturas, mas para conhecer seus novos habitantes, imigrantes vindos da Europa e que iam ocupando a rica região abençoada por uma temperatura tão ao gosto deles.

Por certo, o interesse maior dos jovens cadetes era "garimpar" as futuras 'Gisele Bundchen', as garotas que, ali, começavam a vicejar. Passado o tempo, aquelas famílias e seus descendentes construíram belos hotéis e confortáveis pousadas à altura dos existentes nas serras gaúchas de Gramado e Canela.

Naquele fim de semana, acontecia o "Festival de Trutas", peixe que só conhecia de nome, existente nos piscosos rios que descem daquelas montanhas azuladas. Entramos num restaurante e enquanto o garçom não vinha, eu, com bastante fome e com água na boca, lembrava dos nossos deliciosos peixes: pargo, cioba, cavala, ariacó (do amigo Themístocles), sirigado, e até da tilápia, que comi pela primeira vez num quiosque na parede do Cedro, em Quixadá, acompanhada de uma "bem geladinha", vendo o açude "sangrar" no inverno de 1989. Finalmente, chegaram as tão esperadas "trutas", que nos decepcionaram.

Peixes de rios de águas geladas vinham encolhidinhas e inibidas, tão diferentes de um valente "tucunaré" que eu pescava e degustava no mais lindo rio da Amazônia, o Rio Tapajós, no Pará, em cujas barrancas edificaram o quartel do bravo 53º Batalhão de Infantaria de Selva... SELVA!!!

Rui Pinheiro Silva - Coronel reformado do Exército

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