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Debates e ideias: A vida e a morte

Debates e Ideias

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00:00 · 29.04.2017

Através de uma visão natural da vida, a pessoa nasce, cresce, torna-se adulto e envelhece, encontrando a morte no final da existência. Transição, finitude, prólogo para outra vida ou continuidade de vidas passadas? Vitor Hugo encarou a morte com romatismo, Tolstoi declarou-se indiferente e Chateaubriand odiava. Os escritores acreditam que os covardes morrem mil vezes e os bravos somente uma. A morte se constitui obsessão para quem tem sentimento de culpa e medo mórbido.

Para cristãos, muçulmanos e parte dos judeus, a morte é uma separação temporária. A crença de um mundo melhor é fundamentalmente cristã. Quando o corpo se transforma em alma, vive para sempre tendo como recompensa o paraíso celestial. Onde certamente se encontram os saudosos pais, após uma existência muito honrada, com dignidade, fraternidade, lealdade e imensurável amor aos filhos.

Quando a pessoa é bem-sucedida, tendo vivido plenamente o verdadeiro sentido da vida, aceita a morte com lógica. Nos infortúnios pessoais, a morte simboliza um vazio representando a finitude de todas as esperanças.

Na morte do cônjuge, dos pais, ou filhos, os sintomas depressivos de perda são agravados com a natureza da morte, a família distante, relacionamentos difíceis e pobreza. São sintomas temporários, excetuando-se nos casos de transtornos mentais e desordens psicossociais ou vínculos excepcionais. Na morte de um filho morremos também, em parte.

Os idosos devem reagir com mais serenidade às perdas psicológicas. Entretanto debilitados, dependentes sofrendo solidão têm reações de luto mais fortes. Às vezes morrem mais cedo, logo após a morte do conjugue. Necessitam de apoio familiar e procedimentos médicos-psicológicos.

A morte significa a cessação completa das funções vitais. É um fenômeno universal irrecorrível, parte insubstituível da vida. Todos nós morremos um dia, porém poucos recebem bem a própria morte ou de um ente querido. Com medo da morte ocorrem reações diferentes. Por quê? Por que agora?

Experiências relatadas por pacientes que se encontraram próximos à morte (acidentes graves e coma profundo) não devem ser confundidas com alucinações. Encontros com pessoas amadas já falecidas, a sensação que o espírito vai deixando o corpo, uma luz radiante no fim de um túnel e sentimentos de paz infinita. Como consequências exibem fé em Deus e fraternidade. A religião vê na morte o inicio de outra existência, consagrando para eternidade.

Os sentimentos de pesar persistem em datas especiais e aniversários. Com o passar do tempo estas reações vão se esvaindo, desaparecendo parcialmente.

O funeral é a demonstração pública coletiva do luto. As famílias se reúnem e exprimem estado de tristeza. Nossos pais já se foram. Muitos amigos também. E nós, quando iremos? Por que temer a morte se Deus no deu a vida? Vamos viver a vida com as bênçãos do Senhor.

Josué de Castro - Médico, professor e escritor

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