Coluna

Debates e Ideias: A Educação e a Família

Debates e Ideias

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00:00 · 10.06.2017

Jean Jacques Rousseau consignava que criança não devia receber fortes restrições, defendendo um comportamento espontâneo, o qual possibilitava a expressão livre de sentimentos e ideias, como também a projeção de conflitos. A obra de Rousseau sensibilizou o educador suíço Johann Pestalozzi, que se dedicou a educar filhos de pobres, notabilizando-se com tentativas de cuidar humanamente da educação dos excepcionais.

No século XIX, as ideias de Rousseau e Pestalozzi influenciaram Froebel, educador alemão, que educava uma criança como uma flor, e que esta floresce melhor quando cuidada por um jardineiro interessado. Preconizava recreação livre com excursões pelo campo, estudo da natureza e trabalhos manuais, sob orientação de um professor (Kindergarten).

Os estudos da Psiquiatria Infantil se desenvolveram a partir do Século XIX. LaurettaBender subestima interpretações intelectuais, considerado uma ambiência permissiva na qual a criança possa expressa livremente seus sentimentos. Fez importantes observações sobre sintomas emocionais (psicossomáticos). Defendeu a recreação e a livre expressão, advertindo que a completa licença de expressar qualquer sentimento, de liberar indistintamente impulso, poderia levar desintegração do caráter.

Estudos contemporâneos têm dado ênfase às relações mãe-filho. Mães frias e emocionalmente afastadas dos filhos determinam distúrbios no comportamento da criança e dificuldade de adaptação social. Mães indiferentes apresentam filhos tensos e negativistas.

A criança separada de sua mãe e do pai apresenta três períodos distintos: protesto, desespero e, finalmente, indiferença. Torna-se então uma criança sem ideal, podendo se constituir, mais tarde, um indivíduo nocivo à família e à sociedade. Portadores de conflitos infantis de relação com os progenitores.

Os pais têm também papel significativo nos transtornos da criança, interferindo no bem-estar psíquico e social da família, e os filhos passam a apresentar distúrbios do sono, enurese, hostilidade, anorexia e insuficiência escolar.

Os pais devem refletir o equilíbrio e orientação da família. Erikson aplicou a teoria psicanalítica do desenvolvimento, focalizando não somente as primeiras expediências da criança. Um mundo mais amplo com a família, sociedade e professores interagindo no contexto cultural da vida, estudando o desenvolvimento na puberdade é após, ao longo da vida.

Diremos, então, "que o homem deve conhecer os segredos do espaço sideral". Mas não conhece ainda os segredos de sua própria mente. Educando a criança, evitamos punir o adulto. E o jovem?

Tem que aprender e muito com os mais experientes. Com sua formação familiar, profissional, cultural e social. A liberação prematura e ilimitada dos adolescente nos países que se dizem de primeiro mundo tem sido desastrosa diversas vezes. Pais e professores devem ensinar e educar.

Criança e jovem aprendem e se formam. Os professores são considerados agentes do bem-estar psicossocial, emocional e cultural das crianças e adolescentes. Devem ser considerados, estimados e respeitados. Não existe jovem onisciente, nem onipotente.

Aqueles que assim se consideram estão fora da realidade objetiva, sem educação e sem religião. A educação e a família com formação espiritual e religiosa definem o futuro da humanidade.

Josué de Castro - Médico, professor e escritor

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