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Canela-de-velho

00:00 · 13.03.2018

Pessoa amiga solicitou-me, quando viajasse a Aracaju, trouxesse-lhe um medicamento natural ali vendido. Folhas da planta Canela-de-velho, de nome científico Miconia albicans. Conhecedor, palmo a palmo, do que nomino tríplice mercado, pois os três equipamentos públicos situam-se em mesma área e interligados, logo previ existir no Mercado Albano Franco. Num box especializado, encontrei-as inteiras e trituradas para feitura de chá, tendo naquele local ouvido comentários de usuários. Um, garantia que se constituía miraculoso remédio. "Findou com as inflamações dolorosas das juntas e desentravou os dedos que não se fechavam". Outro, com características hipocondríacas, afirmava tomar e conhecer um sem número de medicações e fez-se bem técnico. Indagou minha doença e, antes que lhe informasse não ser para meu uso, deitou sapiência. "Trata-se de poderoso anti-inflamatório, com propriedades medicinais aplicáveis às artrose, artrite reumatóide, fibromialgia, tendinite, reumatismo e, até antimicrobiana. Chega a reduzir a percepção cerebral da dor". Despediu-se e tomou destino com uma maleta de ervas compradas. Também um mudo, parecendo-me nissei, sansei ou não sei, apontou e adquiriu canela-de-velho e mais outros vegetais. Abriu um papel, em que se lia: "Onde tem sebo de carneiro?". A vendedora chamou um carregador e pediu-lhe indicar a banca de venda de carnes ao "ching-ling". A mim, informou que o "desentravado" era pai-de-santo, o falante, enfermeiro, e o mudo, "só mudo, mesmo..." e perguntou quanto eu queria de folhagens. Dez reais, disse-lhe. E recebi duas sacolas abarrotadas!

Geraldo Duarte. Advogado e administrador

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