editorial

Caminhos da construção

00:00 · 06.12.2017

A construção civil foi um dos ramos que mais sofreu com a recessão. Severamente acometida pelo estado de coma dos investimentos públicos e pela consequente paralisia de grandes projetos, este segmento industrial ainda foi um dos alvos medulares da Operação Lava-Jato, que desmantelou complexos esquemas de corrupção envolvendo empreiteiras gigantes.

Em virtude da profundidade da crise, a recuperação de tal atividade se mostra mais espinhosa se comparada a outros setores. Mesmo assim, a construção começa a se mover para se descolar da turbulência e trilhar novos caminhos.

O ano da retomada ainda não foi 2017. Conforme projeções do Sinduscon-SP, a construção, nacionalmente, deve amargar, neste ano, mais um encolhimento, em torno de 6,4%, o terceiro consecutivo. A demora em perfazer um resultado positivo reflete o tamanho do baque absorvido nos últimos anos.

Os investimentos, mais uma vez, não apresentaram ritmo satisfatório, fato que impediu a alavancagem de empreendimentos. Idem, a confiança do consumidor não se fortaleceu conforme se esperava, dessa forma, os estoques de imóveis a serem negociados se mantiveram elevados. Ademais, o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal, manteve-se em um compasso tímido, sem que as metas de contratação fossem atingidas.

Contudo, há fatores em movimento que permitem a projeção de dias melhores. Levantamento do Sinduscon em parceria com a Fundação Getúlio Vargas estima que o Produto Interno Bruto da construção deverá crescer 2% em 2018, quebrando a sequência de prejuízos que perdura desde 2015.

Em outubro, a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) do setor, indicador medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi de 59%. Significa melhora de um ponto percentual em relação ao registrado em setembro deste ano e três pontos percentuais acima do observado em outubro de 2016. Esta estatística mostra que a ociosidade vem diminuindo, ainda que de maneira bastante lenta.

Outro aspecto positivo é a mudança de humor entre os empresários do setor, embora os números ainda não concretizem a retomada. De acordo com a FGV, o índice de confiança da construção subiu 1,4 ponto no mês de setembro, evidenciando a melhora nas perspectivas do mercado.

Em termos de emprego, a construção ainda busca reaquecer para voltar a absorver mão de obra. Importante para o ritmo do mercado de trabalho brasileiro, por ser um dos que mais empregam, a atividade acumula demissões. O contingente de assalariados vinculados ao setor da construção civil deverá encolher 11% neste ano, fazendo com que o número de trabalhadores retroceda ao patamar de 2009, com 2,4 milhões de empregados.

No Ceará, a construção voltou a demandar força de trabalho, após quase um ano sem aumento no quadro de funcionários, impulsionada por obras no âmbito do Minha Casa Minha Vida.

O Sinduscon-CE projeta a abertura de 2,5 mil oportunidades no próximo ano, pouco para reverter a massa desligada durante a recessão, mas um pequeno passo rumo ao crescimento.

A construção civil ainda está buscando reconquistar a robustez de outrora. Deverá traçar metas modestas e realistas, com um passo de cada vez. O principal, no momento, é deixar para trás o período de atraso e voltar a contribuir para o crescimento nacional.

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