Artigo

Bonifácio relator

00:00 · 12.10.2017

Após marchas e contramarchas, o deputado Bonifácio de Andrada foi definido relator da Comissão de Justiça da Câmara, ante a 2ª denúncia de Rodrigo Janot. Embora destituído da condição de integrante da CCJ, o parlamentar albergou-se em vaga do Partido Social Cristão, agremiação ligada a Temer, numa alternativa que a cerebração dos líderes viabilizou, em brechas regimentais vistas com inquestionável sapiência. Somando 14 mandatos, ele saberá desincumbir-se da função que lhe foi atribuída, driblando sua sigla e ocupando, temporariamente, o lugar destinado ao PSC, comandado pelo deputado sergipano André Moura. A alternativa despontada, em meio a articulações, ensejou a que o tucano se mantivesse, embora com ostensiva restrição de sua legenda, integrada por ele desde a fundação, que já foi majoritária em sua UF. Por esse incidente processual, habilmente contornado, há quem vaticine a recusa da proposição da Procuradoria-Geral da República, aliviando, mais uma vez, o Planalto de uma sanção draconiana, que atinja o Primeiro Mandatário do País. O desenrolar dos acontecimentos prenuncia-se dos mais agitados, embora os situacionistas garantam que o mínimo exigido, constitucionalmente, não será obtido pela vigilante oposição, na busca de apoio para alcançar a figura do atual ocupante do Planalto.

É possível, pois, na semana entrante, que esta disputa venha a se tornar mais aguerrida, e comece a ser redesenhado, com inevitável acirramento, o ânimo convulsivo dos círculos políticos nacionais. Se depender de Bonifácio de Andrada, tudo vai ocorrer "como dantes na casa de Abrantes".

Mauro Benevides
Jornalista

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