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Bicho da água verde

00:00 · 14.11.2017

Em 565, o monstro de Loch Ness, Escócia, conhecido por Nessie, teria sido visto pela primeira vez. A última, 2013. O Ceará não aceitou menos. Um concorrente, em 1960, apareceu no açude Água Verde, em Pacoti. O monstrengo garantiam medir de cinco a seis metros de comprimento e, quando na terra, firmava-se em duas patas e mantinha o corpo ereto.

Nesta posição, aprisionava a vítima e, com ela, mergulhava nas profundezas do reservatório. Jamais se deixou fotografar. Somente retrato falado, arte policial, dele se possuía. Mistério da criptozoologia, parecido, talvez, ao plesiossauro, afirmavam os técnicos. O Dnocs fez-se possuidor da fera e convocou seu biologista Raimundo Adhemar Braga, exímio exterminador de piranhas, objetivando capturar o "perigoso e fantasmagórico animal". Criada a "força expedicionária do DNOCS". Equipada de "material bélico solicitado ao Exército, como fuzis, barracas, lança-chamas, granadas e holofotes", segundo o livro Histórias do DNOCS, de Jarbas Gurgel, o Dr. Adhemar rumou para o lugar das aparições liderando dez homens. Do alto de uma árvore, próxima ao acampamento, controlou as ações munido de binóculo. Noite enluarada. Vegetação aquática perto da margem da represa agitou-se fortemente. Dada a ordem, mais de vinte tiros disparados. Depois, silêncio. Rumaram todos ao alvo.

Lá estava à fera. Jazia abatida por vários projéteis. A mídia local e nacional, durante semanas publicara conjecturas e, ali, deu-se o clímax. Morto um simples jacaretinga ou Caiman crocodilus de um metro de extensão. De lembrança, fabricante de cachaça lançou a Aguardente Bicho da Água Verde.

Geraldo Duarte. Advogado e administrador

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