Editorial

Ampliar a acessibilidade

00:00 · 07.07.2018

É perceptível a melhora em diversas áreas da mobilidade urbana em Fortaleza. As políticas implementadas nos últimos anos modernizaram o transporte na Capital e dinamizaram as opções de locomoção à população. O processo de metamorfose até rendeu à administração deste Município um prêmio internacional, o "Sustainable Transport Awards", anunciado durante uma solenidade na Tanzânia, país no leste do continente africano.

Entre os pontos considerados importantes à obtenção de tal honraria, estão a priorização de ciclistas e dos usuários de transporte público, com intervenções de baixo custo, que antepõem à segurança dos transeuntes. Em reduzido lapso de tempo, a Capital largou praticamente do zero em iniciativas como essas, e hoje, as faixas exclusivas para ônibus, ciclofaixas e outras ações semelhantes são vistas em diferentes partes de seu território.

Mas o reconhecimento de especialistas internacionais deve ser um combustível para que o trabalho de otimizar a mobilidade fortalezense continue. Apesar da notória evolução recente, ainda existem pontos a ser aprimorados.

E, talvez, o mais claro deles seja a questão da acessibilidade. As ruas de Fortaleza, de modo geral, ainda estabelecem obstáculos consideráveis para os pedestres e, em especial, para pessoas com mobilidade reduzida. As calçadas, muitas das quais estreitas, instáveis, disformes e inseguras, oferecem riscos a quem caminha e são intransitáveis para idosos e pessoas com deficiência. De certo, eis um dos motivos que explicam o baixo contingente de moradores da Capital que se locomove a pé, ao lado de outros fatores, como a violência urbana e as altas temperaturas.

A fim de também progredir nessa rubrica, novos projetos estão desabrochando. Entre eles está o Rota Acessível, cujo objetivo é melhorar e padronizar as calçadas de Fortaleza. Os estudos de viabilidade estão em andamento, o projeto piloto a ser instalado na Praia de Iracema, no segundo semestre. Embora, conforme o Código de Obras e Posturas do Município, a responsabilidade pelas calçadas seja dos proprietários dos imóveis, a Prefeitura, diante da evidente desorganização e dos perigos visíveis, pode e deve intervir. O projeto prevê parcerias com a iniciativa privada, através da "adoção" de determinados trechos pelas empresas interessadas, em sistema semelhante ao que já ocorre em relação a praças e áreas verdes. Espera-se que as melhorias não fiquem restritas às áreas turísticas da cidade, pois nos bairros periféricos, a carência por segurança nas calçadas é igualmente enorme.

A Capital também deu os primeiros passos para o desenvolvimento do novo Plano de Acessibilidade Sustentável. A ideia é entender os hábitos e demandas da população acerca do trânsito. A última vez em que um estudo desse tipo foi realizado foi há 22 anos. O projeto durará 24 meses e custará R$ 11,3 milhões.

Ouvir a população é essencial para traçar medidas que elevem sua qualidade de vida, sobretudo, numa época em que o trânsito influencia o cotidiano das pessoas tão fortemente. Após realizar entrevistas e questionários, a gestão municipal deverá apresentar um plano com diretrizes visando ao melhor funcionamento da malha de transportes. É apropriado reconhecer o avanço conquistado no tocante à mobilidade urbana de Fortaleza. Em paralelo, prossegue a responsabilidade permanente de atuação para promover a acessibilidade e a sustentabilidade no trânsito.

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