Editorial

Alfabetizar e crescer

00:00 · 24.05.2018

Os novos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) sobre Educação apontam evolução nos índices de alfabetização no Ceará, ao mesmo tempo em que descrevem um panorama que ainda carece de melhorias.

Conforme os dados do IBGE, a taxa de analfabetismo no Ceará caiu de 15,2% para 14,2%, de 2016 para 2017. A redução alcançada é significativa, sobretudo quando comparada ao desempenho de outros estados do Nordeste. Dos nove, sete não conseguiram contrair a taxa no intervalo em questão, as exceções sendo justamente o Ceará e também Alagoas.

Considerando o grupo da população com mais de 15 anos de idade, 48 mil cearenses foram alfabetizados em um ano, o que acabou por melhorar a taxa estadual. Mas ainda persiste, de acordo com a Pnad, o contingente alarmante de 1,006 milhão de pessoas no Estado, nessa faixa etária, que não sabem ler e escrever. Em que pese o esforço empreendido nos últimos anos para robustecer a educação cearense, tal número evidencia que o analfabetismo se mantém como um grave problema social a inibir o desenvolvimento do Ceará.

O problema causa exclusão social e desigualdade de renda, estando estreitamente ligado à pobreza e à miséria. Em todo o País, 11,5 milhões de jovens e adultos são considerados analfabetos, segundo a Pnad. A taxa caiu de 7,2% para 7%, abaixo, portanto, da média do Ceará. É manifesta a concentração de indivíduos analfabetos na região Nordeste, onde moram 6,4 milhões de pessoas que não sabem ler, o equivalente a 55% do total de analfabetos do País.

Incidem aqui aspectos históricos, notados de forma cristalina a partir da análise do perfil de tais cidadãos. Do universo de nordestinos que não são alfabetizados, três milhões, praticamente a metade, têm 60 anos ou mais. A falta de políticas públicas de combate ao analfabetismo, no passado, certamente contribuiu para a configuração atual.

Reverter esse contexto não é tarefa simples. Primeiramente, requer tempo. Em segundo lugar, uma série de medidas e programas que venham a atacar o problema desde a base, nas idades iniciais, até as faixas etárias adultas e idosas.

O Ceará apresenta números substanciais quando são levados em conta crianças e adolescentes nos Ensinos Fundamental e Médio. De acordo com recente avaliação, 88,2% dos estudantes já são considerados alfabetizados ao término do 2º ano do Ensino Fundamental. Em 2007, esse percentual era de apenas 39,9%. Para lograr tamanho avanço, foi essencial o Programa Aprendizagem na Idade Certa (Paic), cujas intervenções modificaram consideravelmente o quadro educacional da alfabetização em todo o Estado. Foram criados novos padrões de avaliação, além de reforços para a formação de professores e a aquisição de material didático.

Contudo, ainda há muito a ser feito. É crucial encolher o número de cearenses que se enquadram como analfabetos. Mostra-se paradoxal que tantos deles ainda se encontrem nessa situação, quando a tecnologia permite o fluxo de informação e conhecimento de maneira tão célere. Tais pessoas estão alheias às transformações na sociedade, pois lhes faltam as noções básicas da língua escrita.

Os avanços recentes na educação cearense são expressivos e merecem aplauso. Com investimentos constantes, estão sendo galgados degraus construtivos para a sociedade. Mas a deficiência quanto à alfabetização de um milhão de habitantes é um desafio que requer o máximo empenho dos governantes.

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