Artigo

Alfabetização e letramento

00:00 · 08.09.2018

A escrita é resultante de um processo histórico e representa o compartilhamento de um combinado social originado da necessidade de interação comunicacional com o outro, mas quando o assunto é saber como ensinar e aprender, a escrita configura-se um desafio para a educação.

Após uma sequência de planos de alfabetização disseminados no Brasil, vemos a renovação dos discursos que reproduzem as mesmas concepções de língua escrita e de homem, e os mesmos procedimentos pedagógicos utilizados no século 20.

No Dia Internacional da Alfabetização, muitas reflexões podem ser feitas, entre elas a de que a criança deveria chegar ao mundo letrado por meio de vivências culturais com sentidos reais para ela sobre a escrita. Entretanto, temos visto crianças recebendo uma avalanche de informações técnicas em seu processo de alfabetização que as impossibilitam de compreender a escrita não como algo real, mas, sim, abstrato.

O resultado disto pode gerar efeitos negativos e sentimentos de não pertencimento ao grupo social. Logo, não podemos deixar de considerar quem é a nossa criança hoje? O que a escrita representa para elas? Como podemos pensar sobre os desafios da alfabetização e do letramento diante das inovações trazidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC)?

A proposta para os anos iniciais do Ensino Fundamental tem como foco a apropriação do sistema da língua, e mantém o desafio de ampliar o trabalho com os novos gêneros textuais, também conhecidos como textos multimodais. Diante da necessidade do trabalho pedagógico com textos multimodais, há uma reconfiguração das competências e habilidades a serem desenvolvidas que exigirá dos professores mais planejamento.

Outro aspecto que podemos ressaltar consiste na orientação de trabalhar junto aos alunos a adesão à leitura. A proposta também recomenda inserir, no contexto da sala de aula, as webconferências, os blogs, os programas de rádio, entre outros; e reforça os direitos de aprendizagem da gramática, da ortografia, dos aspectos sintáticos, considerando as situações de uso real.

Na BNCC, há um posicionamento claro quanto à progressão dos conteúdos no decorrer dos anos escolares. Assim, os alunos deverão desenvolver, ao longo da trajetória escolar, um conjunto de habilidades cada vez mais sofisticadas, diversificadas e complexas no que se refere à leitura e à escrita.

As crianças de hoje serão os adultos que se formarão por volta de 2030 e 2035, e terão que atuar em um mundo muito diferente daquele no qual vivemos hoje, que demanda cada vez mais autonomia para ler e escrever de modo crítico e criativo.

LUCIANE GUIMARÃES - Pedagoga e psicopedagoga clínica

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.