editorial

Alerta da moeda virtual

00:00 · 03.01.2018

Nenhum ativo no mercado financeiro registrou aumento de valor tão expressivo quanto o bitcoin alcançou no último ano. Antes associada apenas a atividades ilícitas, devido ao anonimato garantido pelo mecanismo, a moeda virtual, também conhecida como criptomoeda, ganhou espaço em negócios legais e adquiriu credibilidade no ambiente das transações. Mesmo com os recordes na evolução de seu valor e a busca desenfreada por esse recurso, deve ser redobrado o cuidado na decisão se vale a pena investir na aquisição da criptomoeda. Ao dialogar com o desenvolvimento do universo digital, a novidade se mostra promissora, mas os riscos são iminentes.

O bitcoin surgiu após a crise global de 2008, iniciada depois de colapso da bolha especulativa no mercado imobiliário dos Estados Unidos, abalar a reputação do dinheiro fabricado por governos e bancos centrais. Não é o único meio de pagamento, mas é o que obteve a maior disseminação. A moeda digital se baseia na confiança deferida pelos indivíduos a seu emissor e não necessita da intermediação de nenhuma instituição financeira tradicional. As transações são validadas por softwares complexos instalados em milhares de computadores espalhados pelo mundo.

No ano passado, o crescimento vertiginoso da criptomoeda chegou a ser estimado em 1.362% perante o real. O salto é explicado, em parte, pela produção limitada que a tornou peça mais rara, mas é igualmente resultado do aumento nas transações realizadas no âmbito da Internet. Avalia-se que são movimentados aproximadamente R$ 30 milhões em bitcoins por dia no Brasil. Em comparação com a movimentação do mercado nacional de ativos, que reúne ações, dólar e contratos de juros, o montante parece ser insignificante, contudo, ainda assim demonstra a força da moeda virtual.

Para se ter ideia da dimensão alcançada pelo bitcoin, é importante citar que, quando empresas e organizações de diversos países, incluindo o Brasil, foram alvos de ciberataque no ano passado, os criminosos exigiram das vítimas o pagamento em moeda digital para liberar os dados sequestrados.

A acelerada ascensão no preço do bitcoin fez o Banco Central emitir alerta com as recomendações necessárias para prevenir prejuízos de magnitude. Em comunicado oficial, reforçou que as moedas digitais não são reguladas ou supervisionadas e, por essa razão, não fornecem garantia alguma a quem opta por investir nela. Ademais, a Instituição mencionou os riscos de a valorização recorde resultar na formação de uma bolha, que pode entrar em colapso mais adiante e deixar milhões em prejuízo.

Assim como no Brasil, outros países repetiram a estratégia na emissão de alertas. Nos Estados Unidos, a fabricação de moeda virtual própria tem sido estudada a fim de reduzir a insegurança relacionada à procura pelo bitcoin, enquanto instituição na Holanda equivalente ao Banco Central criou o dinheiro criptografado próprio para utilização interna.

O Banco de Compensações Internacionais, responsável por guiar a atuação dos bancos centrais no mundo, por sua vez, emitiu relatório para ressaltar que o fenômeno da criptomoeda pode representar um perigo ao sistema financeiro e fez apelo para reiterar os riscos de seu uso. Na medida que cresce o potencial tecnológico, se desenvolve o ambiente propício ao uso do bitcoin ou outra moeda virtual. O mercado, porém, ainda não está pronto para tal inovação, pois falta colocar em prática medidas que possam dar mais segurança ao investidor.

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