Editorial

Alerta climático

00:00 · 11.08.2018

Temperaturas ardentes na Europa e na Ásia, incêndios devastadores na Grécia e na Califórnia. Nas últimas semanas, o mundo vem assistindo a simultâneos eventos naturais espantosos. Inevitavelmente, volta à tona a pauta do aquecimento global, a qual, na verdade, nunca deveria sair dos principais assuntos em discussão no mundo.

Em meio aos recentes fenômenos, um novo estudo científico, publicado na Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, alerta que o problema do clima global pode ser pior do que se imaginava. Em resumo, os pesquisadores avaliam que a Terra pode entrar em efeito estufa irreversível.

Conforme projetam, o contínuo derretimento do gelo polar, o encolhimento das áreas florestais e o aumento na emissão de gases poluentes deverá colocar o Planeta em um ponto sem retorno.

Isso ocorrerá, de acordo com os estudiosos, se a temperatura média do globo subir 2º C acima do nível pré-industrial. Estando o prognóstico correto, o aquecimento se dará de maneira muito mais acelerada. O parecer, publicado no início de agosto, declara que os esforços dos governos para cortarem o lançamento de gases degradantes podem não ser ações suficientes.

Caso a linha dos 2º C seja cruzada, parte das forças naturais da Terra sofrerá transformações radicais, impondo novas e constantes ameaças à vida humana, como ondas cada vez mais fortes de calor, furacões, tufões e afins.

O nível do mar subiria de 10 a 60 metros em alguns locais. A civilização se tornaria, portanto, refém da potência aniquiladora da Natureza, mesmo com a colaboração mundial para tornar sustentáveis e limpas as formas de produção.

As correntes de pensamento céticas quanto às mudanças climáticas perdem sentido a cada novo estudo ancorado em dados sólidos. Para além dos modelos de predição climática, funcionam como prova irrefutável os próprios acontecimentos que estão ocorrendo diante dos olhos de todos. Fenômenos naturais destrutivos sempre aconteceram, mas agora a intensidade e a frequência em que se observam são impressionantes.

No ano passado, a temporada de furacões no Atlântico Norte registrou diversos recordes. O furacão Irma, por exemplo, apresentou ventos de 295 km/h, por mais de 33 horas, tornando-se o furacão de maior duração com tamanha intensidade desde o início dos registros. Neste mês, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, sofre com o maior incêndio de sua história, as chamas atingindo mais de 117 mil hectares.

Na Grécia, mês passado, um grande incêndio florestal matou mais de 70 pessoas. A Europa está sendo acometida por uma severa torrente de calor, a qual levou algumas pessoas à morte.

As novas advertências científicas devem ser levadas a sério pelos governos de todas as nações. Embora as consequências das mudanças climáticas surjam lentamente, a questão se apresenta como urgente. Se não houver sinergia entre os principais países emissores de CO2, é iminente o risco de não só as gerações futuras como a atual viverem sob condições inóspitas.

Passa da hora de o mundo substituir o uso dos combustíveis fósseis por alternativas limpas e renováveis. Faz-se necessário também que os humanos se relacionem com o Planeta de forma protetora, do contrário, ajudarão a criar novos fenômenos ameaçadores a sua própria sobrevivência. Dar as costas para o assunto é um ato de irresponsabilidade, cujo preço deverá ser pago durante muitos anos, por todos que habitam a Terra.

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