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Agosto azarado?

00:00 · 12.08.2017

Superstição é a crença em relações de causa e efeito à face de determinados fenômenos, crença que, entretanto, não tem respaldo na racionalidade. Assim, haveria uma oposição entre o olhar científico e o olhar supersticioso. Colocamos ponto de interrogação do título deste artigo para que a conclusão fique por conta do leitor.

Estamos em agosto. Na alma popular, o oitavo mês do ano está associado a pesar, tristeza, dissabor, sofrimento. Talvez a crendice tenha origem em Portugal, onde as mulheres nunca se casavam no mês de agosto. Justamente neste mês significava ficar só, sem luademel e ainda correr o risco de sofrer uma viuvez precoce. Nem Vinícius de Moraes fugiu ao presságio negativo do mês de agosto que, no Zodíaco, é comandado por Leão.

Nos versos do poeta, "a mulher de Leão não tem perdão. As mulheres de Leão, "leoas são". Poeta, operário, capitão. Cuidado com a mulher de Leão!? Outra justificativa para essa crença de agosto azarado é o fato de muitos episódios tristes, no mundo e no Brasil, terem acontecido neste mês.

Em Nova York, em 6/8/1890, o primeiro homem foi para a cadeira elétrica. Esta primeira execução traduz uma mensagem de iniquidade. O Estado arvora-se defensor da sociedade e supõe ser legítimo tirar a vida de alguém. Entre os dias de 6 e 9 de agosto de 1945, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki foram destruídas pela bomba atômica, - o maior genocídio da História. No Brasil, dois presidentes da República, muito amados pelo povo, morreram tragicamente no mês de agosto. Em 24/8/1954, Getúlio Vargas praticou suicídio. Em 22/8/1976, Juscelino Kubitscheck faleceu, vítima de um desastre automobilístico.

Que Deus abençoe este mês de agosto, livrando-nos de qualquer crueldade.

Raimundo Mariano. Advogado

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