editorial

Abrir novos mercados

00:00 · 14.04.2018

A efetivação de acordo econômico entre Mercosul e União Europeia é desejada, sobretudo, por quem forma o bloco sulamericano em face de as autoridades à frente de tais nações acreditarem que a aproximação significaria para a América do Sul a inserção numa fase muito mais auspiciosa.

Mesmo após 27 anos desde que Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai se uniram e, por meio da assinatura do Tratado de Assunção, firmaram uma parceria, jamais se conquistaram acertos com mercados presentes na escala mais alta do comércio internacional ou se alcançaram pactos que trouxessem benefícios de grande proporção a esses países.

As tratativas entre o Mercosul e a União Europeia se repetem há quase 20 anos. No decorrer das negociações, restrições oriundas de ambos os lados travaram avanços significativos e ainda impedem a oficialização da parceria. Em contrapartida, a postura protecionista do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bem como a saída do Reino Unido da UE por meio do processo denominado de "brexit", fizeram ressurgir o interesse em buscar alternativas comerciais que resultem em ganhos à Europa. Diante disso, a reaproximação com o Mercosul logo voltou a se tornar atrativa.

No fim do ano passado, quando se aguardava a formalização do pacto, a expectativa foi frustrada. Entre os impasses, destacou-se a resistência de parcela do setor agrícola europeu, que repele a ideia de abrir espaço para a entrada de produtos do exterior. Agora, embora autoridades que integram os dois blocos afirmam ainda haver outros detalhes que reprimem o acerto, a maioria projeta o acordo até o fim do semestre.

Para o Brasil, a aliança com a União Europeia deve, a curto prazo, fortalecer ainda mais o agronegócio nacional e fazer o segmento voltar a estimular o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, mesmo sem existir nenhuma parceria comercial com o bloco europeu, a produção recorde levou a agropecuária a registrar salto de 13%.

No primeiro trimestre de 2018, as exportações do segmento somaram 21,47 bilhões de dólares, montante 4,6% superior a igual período de 2017. Conforme o Ministério da Agricultura, houve queda de 1,9% no preço médio dos produtos, contudo o aumento de 6,7% na quantidade vendida deu fôlego. Nesse período, a Ásia se manteve como o principal destino, enquanto a União Europeia apareceu na segunda colocação.

A longo prazo, há a expectativa de a aliança fomentar a ampliação de investimentos na área industrial brasileira, pois se espera que, com o acordo, a escala de produção tende a aumentar. Seja em razão do salto da demanda incentivado pela maior abertura do mercado europeu ou devido à incorporação de novas tecnologias que pode ocorrer a partir de quando se intensificarem as trocas entre o Mercosul e a União Europeia.

Inserir-se numa nova era e se posicionar entre os grandes do comércio global, contudo, requer mais do que um pacto com a União Europeia. Simultaneamente à aproximação com os europeus, o Brasil e os vizinhos sulamericanos que integram o Mercosul precisam eliminar barreiras comerciais excessivas, rever falhas que afetam o nível de produtividade, manter o controle da inflação e garantir o equilíbrio financeiro das contas públicas, a fim de estabelecer bom ambiente para o desenvolvimento de todas as esferas produtivas. Sem tal preocupação, a almejada competitividade dos itens comercializado seguirão com poucas condições de concorrer com outras forças mundiais.

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