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A Liga dos Treze

00:00 · 30.06.2018

Surgiu no dia treze de novembro de 1913 e esta coincidência de números não foi por acaso. A Liga dos Treze foi fundada em momento de radicalização na política do estado. O presidente (governador) do Ceará, Franco Rabelo, enfrentava forte oposição. Seus inimigos eram conhecidos como marretas. Conseguiram o apoio de um sacerdote no Sul do estado, relativamente pouco conhecido até então, o Padre Cícero. Falava-se de uma revolta contra o governo, a qual efetivamente estouraria semanas depois, a chamada Sedição de Juazeiro. Apareceu então, anúncio no jornal Folha do Povo, porta-voz dos rabelistas, com o estatuto da nova sociedade. Esta teria 13 sócios. Todos teriam de ter bigodes. As contribuições seriam de 13 tostões e 13 vinténs, e a diretoria prestaria contas de 13 em 13 dias. As assembleias seriam anunciadas com, no mínimo, 13 horas de antecedência. Os membros defenderiam a sociedade contra os "despeitados, doentes, marretas disfarçados, maldizentes e perversos". E vinha o principal objetivo: sempre que um marreta se tornasse incômodo, os sócios lhe cortariam o cabelo à força, dentro das 13 horas do dia, a contar das seis da manhã. Assinavam certos Faustino Fumaça, Miguel Matuto e Gonçalo Granja. A Liga dos Treze constitui exemplo típico e quase surrealista da conhecida galhofa cearense, embora, no caso, um tanto violenta. Surgiu em tempos sombrios na cidade. Um exemplo, talvez, para que nós também saibamos enfrentar nossas dificuldades com humor.

 

Paulo Avelino
Administrador

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