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A Gilberto Freyre

00:00 · 15.07.2017

O dia 18 de julho marcará o trigésimo aniversário de morte de Gilberto de Mello Freyre, autor do livro que, há 84 anos, teve sua edição princeps e, ainda hoje, merece destaque dentre os volumes de cabeceira do brasileiro que se preze, conquanto boa parte da nossa sociedade insista em considerar démodé essa joia bibliográfica. Citar este pernambucano notável é hoje, infelizmente, considerado fora de moda, pelo menos por parte de quem continua achando que é melhor trocar o Louvre pela Disneylândia, mas, deixa pra lá...

Hoje, encontrei nos alfarrábios texto encaminhado dez anos atrás à Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, que me valeu receber daquela instituição um simpático e tocante agradecimento, assinado pela então presidente, viúva de Fernando de Mello Freyre, filho de Gilberto.

Com a permissão do leitor, eis o escrito: Apipucos - Vinte anos de saudade - Doutor Gilberto Freyre é o expoente a quem se deve a própria identidade. Se vinte anos já faz dessa saudade, o mundo vive o luto como a gente. Mestre Darci Ribeiro garantiu: Qual o feito de Cervantes, na Espanha, a expressão de Gilberto foi tamanha que um ao outro equivale no Brasil!

Antes dele, não tinha quem soubesse explicar, com real fidelidade, a origem desta incrível sociedade que ainda hoje pouca gente conhece. Foi assim que ele, fora do Brasil, pesquisou, fez estudo, escreveu tese, produziu documentos de exegese. E a origem de nós todos descobriu.

O homem de Apipucos tem razão quando mostra a verdade em casca e nó: A heráldica esmaece, e seu brasão, se tudo tem começo em cafundó. Casa-Grande & Senzala - eis o início da saga etnográfica brasileira. Da hotentóia ou do índio, o sacrifício decorreu da ibérica bandalheira.

Januário Bezerra - Empresário e poeta

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