Artigo

A arte do futebol

00:00 · 10.07.2018

O objetivo do futebol é divertir como esporte e arte. Ao se transformar em indústria do entretenimento acabou sofrendo algumas alterações que impactam, de forma negativa, no item estético da atividade.

Eduardo Galeano, notável escritor uruguaio, dizia haver distinção entre o treinador e o técnico, este último comprometido com as funções modernizantes do futebol.

O treinador diz: vamos jogar. O técnico diz: vamos trabalhar. A plasticidade do jogo, numa visão mais conservadora, é aspecto obrigatório ao entendimento do treinador. Já o técnico, abraçado ao pragmatismo que o jogo exige, como indústria, sacrifica a estética.

Os efeitos não são devastadores, mas interferem. Por isso, time que joga feio, e ganha, existe para trabalhar e não para divertir. É o time do técnico. Já o treinador não abre mão do belo, mesmo reconhecendo que isso implique em certa fragilização enquanto atitude competitiva.

O grande Joham Cruyff, um dos maiores jogadores do mundo, responsável dentro de campo pela revolução tática, com o famoso carrossel holandês, afirmava: "Jogar bonito e perder, não tem sentido. Jogar feio e ganhar, não tem graça".

Agora, nestes tempos de Copa do Mundo, é possível enxergar coisas bonitas num futebol onde prevalece o protagonismo coletivo. Já não se vê a mutilação do jogo, mesmo com indispensáveis aventuras individuais, o que resulta em uma ação mais solidária, onde todos marcam, todos atacam.

Os craques continuam fazendo a diferença. São as dimensões do futebol.

Wilton Bezerra

Comentarista esportivo da TV Diário

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