COMÉRCIO EM 2017

Vendas sobem 1,9% no CE; maior desde 2014

Resultado observado no ano passado mostra que os cearenses estão retomando o consumo, aquecendo a economia

01:00 · 10.02.2018
O segmento de materiais de construção apresentou um incremento de 17,7% nas vendas ao longo de 2017 no Ceará. O resultado foi o maior entre as atividades analisadas pelo IBGE para a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC)

O comércio varejista do Estado conseguiu tomar fôlego em 2017 em meio à recuperação econômica pela qual o País ainda passa. O volume de vendas do setor fechou o ano com o melhor resultado desde 2014, com crescimento de 1,9%. A informação está na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que foi divulgada nessa sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desde novembro, o varejo começou a decolar com mais força no Ceará, analisa o presidente da Câmara de Dirigentes Logistas de Fortaleza (CDL Fortaleza), Assis Cavalcante. "O fim do ano em geral costuma ser sempre melhor para o comércio. E com a inflação controlada, com a redução dos juros, com a reforma tributária que deu maior segurança, tudo isso somado deu mais confiança pro consumidor comprar", afirma Assis.

O segmento que mais cresceu durante o ano foi o de materiais de construção, com alta chegando a 17,7%. Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação vem logo atrás (15,4%), seguido por artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,9%), fechando o ranking dos grupos que mais influenciaram os resultados do Ceará.

Dezembro

Olhando somente para o último mês do ano passado, os índices refletem o que o setor já esperava. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, o volume de vendas do último mês de dezembro cresceu 5,2% em relação a igual mês do ano de 2016, consolidando-se como o melhor resultado para o mês desde 2010 (19,7%).

Os produtos que mais tiveram saída no mês em questão foram os artigos de uso pessoal e doméstico, com avanço de 22,4%. Veículos e motocicletas (15,7%), artigos farmacêuticos e cosméticos (14,1%) e material de construção (13,5%) também se destacaram.

"Para nós, ter esses setores na frente foi uma grande surpresa, porque tradicionalmente os itens de vestuário e calçados são os mais consumidos. Observamos também que os bens duráveis estiveram em alta no fim do ano. Um dos fatores que explicam essa disposição é que os consumidores passam o ano poupando e nos últimos meses adquirem um bem de maior valor", esclarece Cavalcante.

Influência do turismo

Para o presidente da CDL, a tendência daqui para frente é de constante melhora. "Ainda não temos os dados de janeiro, mas é possível observar uma boa movimentação. Temos recebido muitos turistas também nestas férias, que incrementam tanto o setor de serviços como o varejo. Agora para o carnaval, nos consolidamos como o segundo destino mais procurado do Nordeste", destaca Assis.

Outro fator importante para a melhora do comércio é a desvinculação do cenário político com a economia. "Até a metade de 2017, muitas coisas estavam acontecendo que deixava o mercado receoso. As pessoas também estavam com medo de perder o emprego, o que freava o consumo. A partir de julho, isso foi amenizando. As melhoras começaram a se revelar com mais força", diz Cavalcante.

Brasil

O volume de vendas do comércio varejista brasileiro teve aumento de 2% em 2017, na comparação com o ano anterior. A alta veio depois de duas quedas consecutivas: em 2015 (-4,3%) e em 2016 (-6,2%).

Segmentos

Três dos oito segmentos pesquisados pelo IBGE fecharam o ano em alta, com destaque para móveis e eletrodomésticos (9,5%) e para tecidos, vestuário e calçados (7,6%). Também tiveram crescimento os setores de artigos farmacêuticos, médicos e perfumaria (2,5%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,1%) e supermercados e produtos alimentícios (1,4%). Por outro lado, três segmentos tiveram queda no ano de 2017, com destaque para combustíveis e lubrificantes (-3,3%),.

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