ibge aponta

Vendas do varejo no CE recuam 10,3% em 2016

A queda foi superior à média nacional, que apresentou um recuo de 8,7% no acumulado do ano passado

Entre os setores com as maiores retrações no ano, estão material de construção (-21,4%) e móveis e eletrodomésticos (-17,7%)
00:00 · 15.02.2017
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No ano passado, as vendas do varejo ampliado - que inclui dados da comercialização de veículos, peças e material de construção - no Ceará caíram 10,3% ante as vendas de 2015, que já tinha apresentado recuo de 4,3% ante o ano anterior. As informações são da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada na manhã de ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda foi superior à média nacional, que apresentou um recuo de 8,7% no ano - apenas o Pará apresentou uma variação positiva, de 0,7% em 2016. A redução das vendas no Estado foi impactada pelo resultado de dezembro, período mais importante para o setor por conta da tradição natalina. No último mês do ano, as vendas nas lojas cearenses caíram 6,7% em relação a dezembro do ano passado, o pior resultado do Nordeste e o oitavo do País.

No Brasil, a queda do volume de vendas no Ceará em dezembro foi menor que as retrações de Rondônia (15,5%), Pará (-12,6%), Espírito Santo (-11,9%), Amapá (-11%), Mato Grosso (-10,4%), Rio Grande do Sul (-8,2%) e São Paulo (-7,7%). No Nordeste, depois do Ceará, aparecem no ranking Bahia (-6,8%), Piauí (-5,2%), Rio Grande do Norte (-4,8%) e Maranhão (-4,5%). Nenhum estado brasileiro apresentou variação positiva para o mês.

De acordo com Freitas Cordeiro, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) do Ceará, o dado é muito puxado pela conjuntura dos setores da construção civil e de veículos, que seguem enfrentando dificuldades. "São setores que têm sofrido muito, embora já sinalizem uma recuperação. Ainda assim, o ano passado também foi muito difícil para eles".

Mesmo considerando os dados do varejo restrito, o presidente afirma que os números surpreendem, já que as vendas do mês de dezembro, embora não tenham sido excepcionais, foram equilibradas. "Tivemos até alguns setores que se destacaram positivamente, como o de supermercados. O Ceará sempre tem um diferencial que é a parte turística e com certeza a seca impactou muito esse segmento", pontua.

Setores

Conforme o IBGE, as maiores quedas, tanto anual quanto mensal, foram registradas pelo segmento de livros e papelaria, que recuou 21,6% em 2016 em relação ao ano anterior e 17,3% em dezembro ante o mesmo mês de 2015. No ano, também foram mais impactados os setores de material de construção (-21,4%); móveis e eletrodomésticos (-17,7%); veículos, motocicletas, partes e peças (-16,7%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-11,6%).

Já os cinco setores que sofreram menor impacto da redução do volume de vendas no ano, segundo os dados do IBGE, foram os hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,1%); tecidos, vestuário e calçados (-3,3%); combustíveis e lubrificantes (-4,6%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-5,2%); e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-10,9%).

Receita

A receita nominal de vendas no comércio do Estado, considerando o varejo ampliado, acumulou queda de 0,4% em dezembro e de 1% no ano. No País, o recuo foi de 1,2% em dezembro e de 0,7% no ano. A maior queda em dezembro no Ceará foi percebida no segmento de móveis e eletrodomésticos (-13,3%), enquanto a receita nominal dos hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 9,3%.

Perspectiva

Segundo Freitas Cordeiro, a instabilidade política continua "infectando" os negócios. "Enquanto houver essa instabilidade, não vamos ter uma economia equilibrada", destaca o presidente, que pondera já existir uma sutil rampa de saída da crise, com a queda da inflação, dos juros e da redução da velocidade de aumento do desemprego. "O ano de 2017 ainda é difícil, mas estamos nos equilibrando".

Instabilidade

"Enquanto houver essa instabilidade política, não vamos ter uma economia equilibrada"

Freitas Cordeiro
Presidente da FCDL-CE

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