CONSTRUÇÃO NO 1º trimestre

Venda de material gira R$ 604 mi no CE; alta de 4,5%

O custo médio para construir no Estado, em março, chegou a R$ 1.005,05 por metro quadrado

01:00 · 14.06.2018
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Considerando apenas o mês de março, os produtos do setor movimentaram R$ 201 milhões, uma leve alta de 0,2% em relação a fevereiro

As vendas das lojas de material de construção nos primeiros meses do ano tradicionalmente sofrem uma redução. Este ano, no entanto, os resultados têm sido acima do esperado. Nos primeiros três meses de 2018, somente no Ceará, foi registrada uma alta de 4,5% em relação a igual período do ano passado, totalizando R$ 604 milhões, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).

Somente em março, o Estado vendeu R$ 201 milhões em produtos do segmento, um avanço de 0,2% em comparação com o mês de fevereiro. Considerando somente os dados de março, o Ceará foi o terceiro estado do Nordeste em valor de vendas, atrás somente de Pernambuco (R$ 293 milhões) e da Bahia (R$ 400 milhões). Olhando para o crescimento em relação ao mês anterior, o território cearense foi o segundo da região, perdendo apenas para a Paraíba, que cresceu 0,3%.

De acordo com Carlito Lira, presidente da Associação de Comerciantes de Material de Construção do Ceará (Acomac-CE), para este ano, o setor estima um avanço próximo aos 5%. "Neste primeiro semestre, normalmente tem uma movimentação menor. Mesmo que nos últimos anos não tenhamos tido um período chuvoso abundante, o consumidor já tem essa cultura de não realizar reformas nesses primeiros meses", explica.

Segundo ele, até abril, o volume de vendas apresentou crescimento próximo de 3%. "Não atingimos os 5% que a gente prospecta, mas nossa expectativa maior é em cima dos resultados do segundo semestre. Nossas vendas, no segundo período do ano, avançam, em média, 30% em relação à primeira metade", destaca Carlito. Ele acrescenta que, em geral, a proximidade do fim do ano gera um impacto positivo bastante considerável. "Nossas lojas de material de construção são muito voltadas para as reformas residenciais. Cerca de 65% das nossas saídas são deste tipo", pontua.

Custo

A Abramat também revelou que, em média, o custo da construção residencial no Ceará em março chegou a R$ 1.005,05 por metro quadrado. Pelo mercado ser muito baseado nas reformas pequenas, os produtos mais consumidos, segundo Carlito, são os pisos, argamassas, louças e tintas. "Em relação aos preços, até abril, nós tínhamos uma normalidade. Mas a greve dos caminhoneiros teve um grande impacto sobre isso. Recebemos novas tabelas de preços, já considerando o tabelamento do frete, e estamos numa situação em que não sabemos se esse reajuste é coerente ou é fruto somente de uma expectativa", ressalta. Ele acrescenta que a tabela do frete irá gerar uma influência grande nos valores, pois boa parte da composição dos preços leva em consideração o frete, uma vez que o setor trabalha com grande quantidade de materiais pesados.

"Até agora, não repassamos nada. Normalmente, as lojas trabalham com estoques que duram três meses e vamos repondo o que acaba mais rápido. Ainda temos alguns produtos de antes da greve, de forma que ainda não mexemos nos preços. Mas a próxima semana será crucial para as negociações com os fornecedores bem como para o andamento da situação da tabela do frete", afirma Lira.

Empregos

Carlito revela que o quadro de funcionários das lojas de material de construção se mantiveram nesses primeiros de 2018. "Nós não contratamos novos funcionários, mas também não demitimos. Esperamos que para o segundo semestre, quando as vendas se alavancam, a gente realize processos de admissão, por volta de agosto", destaca.

De acordo com a Abramat, as construtoras do Estado empregavam em março 70.452 pessoas, número 0,8% menor que em fevereiro. De janeiro a março, o segmento acumula uma redução no quadro de funcionários de 4,3%. Já os empregados na indústria de materiais somam 16.666 cearenses. Seguindo a tendência das construtoras, houve uma retração do montante de 0,01% em relação a fevereiro. No acumulado do primeiro trimestre, a queda é de 6,41%.

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