13º ajuda em quitações

Valor médio das dívidas do fortalezense é de R$ 1,59 mil

Conforme pesquisa da Fecomércio-CE, mais da metade dos consumidores da Capital têm alguma dívida

01:00 · 25.08.2018
LOTERICA
Neste mês, 18,2% dos consumidores de Fortaleza têm alguma conta ou dívida em atraso. Só 9,3% disseram ter condições de pagar os débitos ( FOTO: FERNANDA SIEBRA )

A renda extra do abono do PIS/Pasep e a primeira parcela do 13º salário dos servidores públicos municipais e estaduais permitiram que uma parcela da população pagasse débitos em aberto, reduzindo o indicador de endividamento na Capital, neste mês. De acordo com pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), mais da metade (53,7%) dos consumidores de Fortaleza detinham algum tipo de dívida. O valor médio das dívidas é de R$ 1.595, com prazo médio de oito meses.

A proporção de consumidores com contas ou dívidas em atraso caiu 4,5 pontos percentuais, passando de 22,7% dos consumidores, em julho, para 18,2% neste mês - o patamar é o mais baixo desde março de 2015. Por ocasião da pesquisa, apenas 9,3% dos consumidores afirmaram possuir condições de pagar suas dívidas. Enquanto 8,9% já estava inadimplentes, ou seja, atrasaram o pagamento por mais de 90 dias e declararam não possuir recursos para quitar o débito.

Os consumidores que estão conseguindo pagar todas as contas dentro do vencimento neste mês de agosto somam apenas 35,5% do total.

Apesar de ainda serem muito elevados e preocupantes, os índices que medem a situação financeira da população de Fortaleza mostram uma melhora ao longo dos últimos meses. O patamar de endividamento, agora em 53,7%, vem apresentando recuo por três meses consecutivos, mas chegou a alcançar 71,5% em maio.

INFO

Alívio

A diretora institucional da Fecomércio-CE, Claudia Brilhante, explica que os recursos extras do saque do abono do PIS/Pasep e da antecipação da primeira parcela do 13º contribuíram para o alívio nas contas de parte dos fortalezenses. "As pessoas estão se conscientizando de que a prioridade tem que ser o pagamento de dívidas", afirma.

Nível elevado

O patamar médio das dívidas este mês está em R$ 1.595, nível considerado elevado por Claudia Brilhante. "É um pouco preocupante. O ideal era que não passasse de R$ 1.000, mas está dentro da normalidade dos últimos três anos, sob influência da crise econômica", destaca. A taxa percentual de pessoas com dívidas em atraso também diminuiu pela segunda vez seguida, saindo do pico do ano de 29,3% em junho para os atuais 18,2%. Este é o menor resultado em 2018.

Apesar da melhora, o tempo médio de atraso nas obrigações ainda é elevado e considerado crítico. "Essa média hoje está em 70 dias, um período muito longo principalmente para as contas com cartões de crédito e bancos que possuem juros elevadíssimos", alerta.

Inadimplência

Mas a inadimplência vem apresentando tendência de queda nos últimos dois meses. Em junho, 12,6% dos consumidores estavam inadimplentes, percentual que se retraiu para 8,9% em agosto. Apesar disso, essa parcela ainda precisa cair mais.

"Em 2005, nosso potencial inadimplente era de 4% e nós já estávamos preocupados. Tem muito que melhorar", pontua Claudia Brilhante.

Renda comprometida

Já o comprometimento da renda familiar, que é o quanto da renda da família já está destinada às contas, ficou em torno de 31,9%, inferior a meses anteriores e próximo do que seria ideal (até 30%), segundo a diretora institucional da Fecomércio-CE.

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