Usina de ondas do Pecém está abandonada - Negócios - Diário do Nordeste

Geração de energia

Usina de ondas do Pecém está abandonada

Instituto do Rio de Janeiro responsável pelo projeto está com novo protótipo em terras fluminenses

00:00 · 30.09.2014
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Um dos fatores que contribuiu para o abandono da Usina pela Coppe foi a reforma do Porto do Pecém, que ainda está em curso ( Foto: Francisco Viana )

Com operações iniciadas em 2012, a usina de ondas do Pecém, pioneira do tipo na América Latina, já está abandonada há cerca de um ano. O Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que era responsável pelo projeto, atualmente trabalha com um novo protótipo, só que este está em terras fluminenses.

Conforme informações publicadas no jornal O Globo, o projeto do Pecém foi abandonado pela Coppe pelo fim do contrato de pesquisa com a Tractebel Energia. A empresa privada investiu R$ 15 milhões no empreendimento. Além disso, o protótipo do Ceará necessitava de melhorias tecnológicas.

Procurada pelo Diário do Nordeste, a Coppe, por meio de sua assessoria de imprensa, confirmou as informações, mas não conseguiu contactar, para entrevista sobre o assunto, o porta-voz do instituto, o professor Segen Estefen, o qual exercia a função de coordenador da usina.

Retomada em 2017

Em entrevista ao periódico carioca, contudo, o professor chegou a afirmar que a Coppe pretende, a partir de 2017, retomar os experimentos no Ceará - e chegou a considerar a planta "um sucesso". As obras de expansão, hoje em execução no Porto do Pecém, também teriam contribuído para o abandono do projeto.

Desta forma, caso venha a ser retomado, o projeto de geração de energia usando as ondas do mar deverá ser instalado em um outro lugar, e não mais no terminal portuário cearense.

Capacidade instalada

O empreendimento energético instalado no Pecém tem capacidade de gerar 50 kilowatts (kW). Ainda em 2012, o projeto obteve Licença de Operação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para funcionar até o ano de 2020.

O Ceará foi escolhido para abrigar o mecanismo, principalmente pela constância dos seus ventos alísios. O movimento desse tipo de ar gera ondas regulares no mar cearense. Elas não atingem níveis elevados, como no Havaí, por exemplo, mas são constantes, fator que aumenta a eficiência da usina de ondas.

O projeto fluminense

Por hora, a Coppe estará focada na nova usina de ondas em instalação no Rio. Em parceria com Furnas e a empresa Seahorse Wave Energy, o projeto conta com investimento de R$ 9 milhões (vindo de Furnas) e está programado para entrar em operação em 2015.

A planta propõe a instalação de um conversor offshore, a cerca de 14 quilômetros da praia de Copacabana, com capacidade instalada de 100 kW - o dobro da usina cearense.

A usina ficará a uma profundidade de 20 metros e, em sua capacidade máxima, a eletricidade gerada pode abastecer o equivalente a 200 casas residenciais.

Estima-se que, com oito mil quilômetros de costa, o Brasil possui um potencial para energia das marés que pode chegar a 114 gigawatts, que chega a ser quase a atual capacidade instalada de energia elétrica no país.

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