Diante das incertezas

Tesouro Direto registra recorde de investidores

Em julho de 2018, foram realizados 107 mil novos cadastros, a maior entrada em um mês desde 2002

01:00 · 10.09.2018
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Em julho, foram registrados em todo o País 107 mil novos cadastros no programa. Destes, cerca de 17 mil são referentes à região Nordeste ( Foto: FERNANDA SIEBRA )

Com cenário político imprevisível e um mercado volátil, os investidores partiram em peso para o Tesouro Direto. Em julho, foram 107 mil novos cadastros, a maior entrada em um mês desde o início do programa, em 2002 - e 27 mil acima do mês anterior. Do total de novos investidores cadastrados em julho, 15,8% são da região Nordeste, o que corresponde a 17 mil pessoas. Com 254 mil aplicadores, a Região tem 10,6% do total de investidores no País.

As pessoas também estão aplicando mais: foram 16 mil novos cadastros ativos ante 10 mil em junho. No total, já são mais de 2,3 milhões de cadastros no programa de compra e venda de títulos públicos, um aumento de 55,7% nos últimos 12 meses.

Segundo Paulo Marques, gerente do Tesouro Direto, as incertezas tanto no exterior quanto no mercado interno tendem a levar as pessoas para aplicações menos arriscadas, como a renda fixa, mesmo com os juros em um patamar historicamente baixo.

A guinada no Tesouro ocorre em meio a um cenário que pune a maioria dos investimentos considerados mais arriscados, como ações e fundos multimercado. Em junho, mês que antecedeu o recorde do Tesouro, a Bolsa acumulou perda de 5%, enquanto o dólar subiu 4%.

Título com maior demanda, o Tesouro Selic, que responde por 47% das vendas, é considerado o mais seguro, pois permite resgate a qualquer momento sem risco de perdas, uma vez que, independentemente do cenário, o investidor ganha o juro básico.

Olhando para os outros títulos, o professor Marcos Piellusch, do Laboratório de Finanças da FIA, salienta que há bons retornos que chamam o investidor para essa aplicação. O Tesouro IPCA+ 2024, paga uma taxa de 5,86% mais a variação da inflação. Na comparação com produtos com taxa de administração maior do que 0,5% ao ano (custo médio da taxa de custódia do Tesouro mais o Imposto de Renda), trata-se de bons rendimentos para aplicações de baixíssimo risco, diz.

Esses títulos, contudo, sofrem com a marcação a mercado - atualização do preço do ativo. Se o investidor quiser se desfazer do títulos antes do prazo, está sujeito a uma nova taxa, que pode ser maior ou menor que a inicial. Se levar até o vencimento, não terá surpresas e receberá a taxa contratada.

Além do cenário atual, a professora de Finanças da FGV Myrian Lund destaca que a educação financeira também é um dos motivos para o recorde. Ela acredita que esse perfil de investidor - que faz aportes baixos e olha para o curto prazo - não está tão atento à conjuntura, mas sim a alternativas à poupança, e o Tesouro é a porta de entrada.

Atualmente, a caderneta está em desvantagem, pois paga 70% da Selic.

Mais informações:

Lista de títulos disponíveis para compra com preços e rentabilidades: www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto-precos-e-taxas-dos-titulos

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