prejuízos

Suinocultura opera com apenas 30% da capacidade

01:00 · 30.05.2018
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Em geral, alguns produtores do Estado abatem cerca de 5 mil animais por semana, número que foi consideravelmente reduzido devido à greve

O setor de suinocultura registra prejuízos da ordem de R$ 5 milhões no Ceará. "Na parte do nosso setor nós estamos apenas com 30% da nossa capacidade de abate funcionando porque não temos como escoar a nossa produção. Isso já é um impacto grande. Sem contar com a nossa perda de produtividade porque os nossos animais estão sendo alimentados com uma ração que não está mais balanceada pela falta de farelo de soja", explicou o vice-presidente da Associação dos Suinocultores, João Ricardo Rabelo.

"Um suíno que a gente abate em cinco meses a gente vai ter que abater talvez com sete ou oito meses porque nós estamos racionando essa ração e usando uma ração de menor qualidade. Cerca de 95% do nosso volume de insumos vêm de estados vizinhos como Maranhão, Piauí, Bahia e Mato Grosso".

De acordo com ele, a situação é crítica em todo o Ceará. "Toda a nossa ração vem de fora e os postos de fiscalização nas divisas entre os estados estão bloqueados. O movimento não libera mesmo mostrando que é um insumo. Estamos pedindo uma intervenção do governo do Estado e federal".

Rabelo disse que são 11 mil matrizes suínas e por semana há abate de em torno de 5 mil animais. "No meu caso, eu estou abatendo apenas 20% dos animais". Segundo ele, a produção estadual é bastante capilarizada. "Nós temos produtores na região de Acaraú, São Gonçalo do Amarante, Quixeramobim, Guaiúba e Redenção. Temos produtores em todo o Interior do Ceará. Já o consumo é interno, se concentrando na Região Metropolitana de Fortaleza".

Faturamento afetado

Empregando aproximadamente sete mil pessoas em todo o Estado, o setor estima perdas de R$ 500 mil por dia, prejudicando dessa forma um faturamento de R$ 14 milhões mensais, de acordo com previsão de João Ricardo Rabelo.

"Em até 15 dias a gente retoma essa logística até o destino final. Todo o trâmite nas fazendas, emissão de nota, entrada no estado, tudo isso vai ser um complicador por conta da demanda que vai haver quando se normalizar essa greve".

O vice-presidente também afirmou que está reduzindo a alimentação dos suínos para não haver sacrifício.

"Mas daqui para quarta-feira ou quinta-feira, se não resolver essa situação, nós vamos ter mortalidade sim por conta da queda de imunidade dos animais. Nós não sabemos como vamos conduzir isso", desabafou Rabelo. (HRN)

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