Inovação

Start-up: ideia bem elaborada atrai mais recurso

Inovador-chefe do BNB afirma que quanto mais completo é o projeto, mais investimento e apoio deve receber

O evento "Conexão Chile" integra o Programa Conexões, iniciativa do Hubine, para levar acessibilidade às empresas de inovação do Nordeste através de casos de sucesso oriundos de diversos países ( Foto: Levi de Freitas )
01:00 · 23.09.2017

Ter uma boa ideia e vê-la gerando lucros é o sonho de quem tem sangue empreendedor correndo nas veias e se vê comandando uma start-up. Mas não basta apenas o "insight": é preciso desenvolver a "visão" e transformá-la em algo palpável para, aí sim, colher os louros da glória. De acordo com o inovador-chefe do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Eduardo Gaspar, uma ideia, por si só, não é vendável. E este tem sido um erro comum, cometido por quem projeta empreender mas ainda não colocou a mão na massa pra valer.

"Só a ideia, sem execução, não vale muito. Às vezes, as pessoas acham que é só ter uma ideia, mas ninguém vai pagar só por isso, por melhor que ela seja. Com o conhecimento que ele tem, ele pode começar o desenvolvimento da ideia e, a partir daí, ver incentivos e novas formas de apoio", destacou.

Neste sentido, o Banco do Nordeste vem realizando eventos e proporcionando a troca de conhecimentos entre especialistas, empresários e aspirantes que desejam empreender. Há cerca de um ano, foi criado o Hub Inovação Nordeste (Hubine), localizado na sede do BNB, para fazer esta ligação entre os diversos públicos e o banco.

Nessa sexta-feira (22), por exemplo, algumas das experiências da maior aceleradora de startups da América Latina puderam ser compartilhadas com empreendedores cearenses. A oportunidade aconteceu através do evento "Conexão Chile", que trouxe à Capital representantes da Start-Up Chile, uma das dez maiores do mundo em aceleração de negócios inovadores.

"Aqui, temos uma agenda de eventos em que trazemos outros players. Sozinhos, não fazemos nada. Trazemos pessoas para compartilhar conhecimento", exaltou Gaspar.

O inovador-chefe ainda exortou que os empresários devem procurar por informação para conseguir o desenvolvimento almejado e necessário para ingressar ou se manter no mercado, cada dia mais competitivo.

"Ele (empresário) também não pode se iludir que a vida de empreendedor é só flores, só glamour, pois não é. Ele tem que ter, além de uma ideia, a capacidade de organizar os fatores produtivos para que essa ideia se torne algo concreto. É a própria definição de empresário. Ele tem de saber mobilizar, incentivar as pessoas para que elas acreditem na ideia. Agora, sozinho, não funciona. E ninguém pode ser paternal ao extremo, pois não vai funcionar", alertou.

Experiências

O evento "Conexão Chile" integra o Programa Conexões, iniciativa do Hubine que, segundo o BNB, "visa tornar acessível a startups nordestinas casos de sucesso na área de inovação oriundos de diversos países. A proposta é possibilitar negociação de parcerias comerciais, troca de experiências e conhecimentos. Além disso, realizar benchmarking - análise comparativa de serviços para que as empresas locais valorizem seus produtos".

Dentre os convidados, o chileno David Fernández Torres, apresentou a Start-Up Chile. A empresa, que é estatal, atende a 1.400startups de 81 países. "Empreender é uma maneira de viver", citou. Dentre os objetivos da empresa chilena, segundo Torres, está "seguir sendo um hub internacional de inovação".

O paulista Tiago Santos, CEO da startup Husky, é um dos muitos estrangeiros que teve seu negócio apoiado pela empresa de aceleração. Ele percebeu a necessidade do mercado de um mecanismo mais eficiente para a realização de pagamentos internacionais e criou, com um sócio, uma startup que faz o encaminhamento de montantes, voltado principalmente para pessoas com menos de 30 anos.

"Percebi que o processo deveria ser simples como são as transferências bancárias nacionais. Pensamos em youtubers, atletas de games, influenciadores digitais. Aqueles que fazem negócios diferentes e o mercado financeiro não conhece", disse, ressaltando que em cerca de um ano, a empresa já movimentou mais de US$ 3,5 milhões.

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