INSTABILIDADE

Setor produtivo mostra apreensão com o futuro

Comércio, agricultura, indústria e turismo afirmam que País precisa retomar o desenvolvimento

Para Freitas Cordeiro (esq.), presidente da FCDL, as denúncias prejudicam a retomada da economia. O presidente da Faec, Flávio Saboya (centro), diz que a agricultura é um dos setores mais afetados. Eliseu Barros (dir.), presidente da ABIIH-CE, afirma que o turismo sofre com a retração do consumo das famílias ( Foto: Kid Jr e Ellen Freitas )
00:00 · 19.05.2017 / atualizado às 15:39 por Hugo Renan do Nascimento - Repórter

O setor produtivo cearense está apreensivo com a instabilidade política e econômica do País, após as novas denúncias de corrupção divulgadas nessa quarta-feira (17). Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro, o cenário já vinha prejudicando a economia. Entretanto com as denúncias, as expectativas de melhoras estão piores.

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"A situação apenas se agravou. Já vinha instável, mas agora degringolou de vez. Nós estávamos vendo uma saída antes, estávamos animados, mas após isso, os impactos podem ser piores", declarou Freitas Cordeiro.

Segundo ele, o País está carente de lideranças para a condução dos problemas. "Eu nunca tinha presenciado um momento tão turbulento como este de agora. Todas as instituições estão desgastadas, sem exceção, e isso traumatiza ainda mais a nação. Não estamos equilibrados e isso deixa o setor mais apreensivo", afirmou o presidente da FCDL.

Freitas Cordeiro diz também que a saída para os problemas tem de ser rápida. "Talvez haja uma saída, mas está tudo muito incerto", completou.

Fiec

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), por meio dos seus 40 sindicatos, divulgou um manifesto ontem (18) em que afirma que as reformas que tramitam no Congresso são fundamentais para a retomada econômica. "A indústria cearense mobiliza-se para evitar desvios que comprometam a trajetória da recuperação. Nesse sentido, defende que acima de qualquer inclinação política, os nossos destinos sejam conduzidos por alguém com credibilidade e forças necessárias para dar continuidade às mudanças".

Ainda segundo o manifesto, a Federação das Indústrias "entende que diante da gravidade do cenário político nacional, torna-se urgente que a sociedade, dentro dos parâmetros estabelecidos pela Constituição Federal, assuma o papel de protagonista dos destinos do País para continuar trilhando o caminho da recuperação econômica".

Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou-se por meio de nota, em favor das reformas estruturais em curso no País. Segundo a entidade, somente com a continuidade das reformas, o Brasil poderá sair da recessão e voltar a crescer. "A turbulência política não pode anular os avanços conquistados nos últimos meses nem frear o andamento das reformas estruturais", disse a CNI.

"As reformas trabalhista, previdenciária e tributária são essenciais para recolocar a nação no rumo certo e gerar postos de trabalho e renda para os 14 milhões de brasileiros que sofrem o flagelo do desemprego", continua.

A entidade afirma ainda confiar que as instituições e a sociedade encontrarão soluções para superar as novas adversidades. "O País precisa enfrentar a atual crise política com serenidade e espírito público".

Agricultura

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flavio Saboya, disse que a agricultura é uma das prejudicadas pela atual situação. "Nós não temos nada definido. Isso é muito complexo para o setor rural porque nós temos diversos assuntos indefinidos, como a aposentadoria rural, aportes de recursos, obras da Transposição. Tudo sofrerá reflexos negativos para o setor".

De acordo com Saboya, essas incertezas influenciam diretamente nos negócios agrícolas. "Há uma indecisão das políticas para o setor que depende de prazos, por conta da época do plantio, planos de financiamento. Nós dependemos disso por conta da cronologia. Se você não cumpre naquela data você perde oportunidades", afirmou.

Flavio Saboya também disse que torce para que a situação atual se resolva o mais rápido possível. "É importante que haja uma definição porque é necessário o desenvolvimento do País e principalmente do Nordeste, que vem sofrendo há cinco anos com a seca", completou.

Para ele, é essencial um posicionamento firme do governo federal quando a definição de obras importante para o Estado, como a Transposição. "Isso necessitará de uma posição firme do governo federal".

Turismo

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-CE), Eliseu Barros, o momento é delicado para todos os setores produtivos. "A gente tem que admitir que o Brasil precisa ser passado a limpo. Com uma situação dessas as pessoas passam a ficar retraídas, comprometendo de certa forma o turismo".

Associações empresariais

Em todo o País, diversas associações empresariais manifestaram posições pelo andamento das reformas e pela investigação das denúncias de corrupção.

Os setores defenderam o prosseguimento das reformas da Previdência e trabalhista e tributária, e a aprovação da medida provisória que reabre o Refis.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) disse que "independente do momento atual vivido no Brasil, o poder legislativo precisa dar continuidade à agenda de reformas".

José Carlos Martins, presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria de Construção), acredita que as reformas da Previdência e a trabalhista já estão avançadas o suficiente para não dependerem do que vai acontecer com o presidente Michel Temer, e precisam ser tocadas adiante.

Além das reformas da Previdência e trabalhista, o setor da construção defende a regulamentação dos distratos de compras de imóveis.

Já a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) defende uma solução rápida para o impasse político gerado pelas novas denúncias contra o presidente Michel Temer para que o setor não volte a sofrer com a deterioração da confiança entre os consumidores e investidores.

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